LONDRES — O governo britânico afirma que o Manchester City não está acima da lei e defende a continuidade do processo independente aberto contra o clube por irregularidades financeiras na Premier League. A declaração foi feita por Downing Street nesta quinta-feira, 1, após comentários do primeiro-ministro Andy Burnham sobre o caso.
Burnham afirmou na quarta-feira que ficaria preocupado se os proprietários do clube, originários dos Emirados Árabes Unidos, abandonassem o projeto. Ele destacou os investimentos feitos em Manchester pelo Abu Dhabi United Group, grupo que controla o time.
O Manchester City foi considerado culpado de mais de 100 violações. Entre as acusações estão a articulação de acordos fictícios para aumentar artificialmente receitas e reduzir custos em mais de 900 milhões de libras entre 2009 e 2018.
Downing Street diz que o processo deve seguir seu curso e que o resultado precisa ser respeitado. O governo também afirma que os responsáveis devem enfrentar consequências apropriadas caso as irregularidades sejam comprovadas. O porta-voz declarou que a decisão inicial é séria e que não pode haver qualquer insinuação de que alguém esteja acima da lei.
Acusações e defesa
Mais de 80 acusações estão relacionadas à obrigação de o clube fornecer informações financeiras à Premier League com a maior boa-fé possível. A liga afirma que o Manchester City pode ter omitido documentos e deixado de enviar informações sobre sua situação econômica.
As demais acusações envolvem regras de rentabilidade e sustentabilidade do clube e normas econômicas da Uefa. O caso reúne acusações formuladas ao longo de uma década. Em 2014, a Uefa acusou o Manchester City de burlar regras de fair play financeiro e aplicou uma multa de 20 milhões de euros. Em 2020, o clube foi suspenso da Champions League por questões financeiras, mas a punição foi cancelada após recurso. As primeiras investigações da Premier League começaram em 2019.
O clube afirma estar desapontado e surpreso com a decisão, nega as acusações e confirmou que vai recorrer. O Manchester City tem até o dia 2 de outubro para apresentar recurso à comissão. A defesa sustenta que ainda há elementos do processo pendentes e que a decisão contém erros de direito, princípio e fato.



