Os planos de governo dos seis principais presidenciáveis têm média de 30,6% de convergência com as propostas liberais do movimento Livres. Romeu Zema (Novo) é o único a superar 50% no resultado geral, com 54,8%. Os dados fazem parte do Índice de Convergência Liberal, elaborado pela organização.
Ronaldo Caiado aparece em seguida, com 44,3%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31,0%; Lula, com 20,4%; Augusto Cury, com 18,1%; e Renan Santos, com 15,1%. Todos os candidatos ficam abaixo de 25% em pelo menos um dos cinco eixos avaliados.
A análise compara os programas registrados no TSE com o Caderno de Políticas Públicas 2026 do Livres. O documento reúne 113 propostas, distribuídas entre Segurança Pública, Reformas do Estado, Educação, Meio Ambiente e Saúde, e Caminhos para a Prosperidade.
Zema tem seus melhores resultados em Caminhos para a Prosperidade, com 73,9%; Educação, com 61,5%; e Reformas do Estado, com 58,3%. Em Segurança Pública, o índice do candidato é de 15,6%. Essa é a área com menor convergência média entre os seis planos: 31,8%.
Propostas excluídas
Antes da comparação, o estudo retira medidas consideradas incompatíveis com garantias constitucionais e princípios liberais básicos do Estado de Direito. Ao todo, 17 propostas são classificadas como inconstitucionais. Renan Santos concentra nove delas, incluindo a criação de tribunais especializados por classe de acusado e decretos sucessivos de Estado de Defesa em áreas dominadas por facções.
Zema e Flávio Bolsonaro têm três propostas excluídas cada um. Entre elas estão a prisão preventiva obrigatória a partir da terceira prisão em flagrante e a castração química de condenados por crimes sexuais. Caiado tem uma medida retirada, o monitoramento de todas as conversas entre presos e advogados. Augusto Cury também tem uma: nomeações ao STF sem participação dos outros poderes. O plano de Lula não registra exclusões nesse filtro.
Lula obtém 53,1% em Segurança Pública, com propostas de câmeras corporais, integração de dados e enfrentamento ao feminicídio. Em Reformas do Estado, porém, alcança 1,4%; 31 dos 36 temas avaliados não são abordados, o maior nível de divergência registrado entre os eixos.
Caiado lidera em Meio Ambiente e Saúde, com 62%, e fica em segundo nos outros quatro eixos, incluindo empate em Reformas do Estado. O estudo aponta convergência em adaptação climática, saneamento e organização do atendimento no SUS.
Voto facultativo, regulamentação do uso adulto de drogas, legalização de cassinos, regulamentação da prostituição e licença parental compartilhada não aparecem em nenhum dos seis planos.
Cada medida recebe classificação de convergência plena, convergência parcial, divergência ou tema não abordado. A primeira vale um ponto; a segunda, meio ponto. A soma é dividida pelas 113 propostas e convertida em percentual, com peso proporcional ao número de propostas de cada área. A avaliação considera apenas os programas escritos e não mede a capacidade de execução dos candidatos.
“A aproximação com a nossa agenda econômica nem sempre vem acompanhada de propostas de proteção às liberdades individuais”, afirma Magno Karl, cientista político e diretor executivo do Livres. A organização afirma que não apoia candidaturas nem recomenda voto por meio do índice.



