A China estabelece como meta que os veículos de nova energia representem 70% das vendas de carros de passeio no país até 2030. Para os veículos comerciais novos, o objetivo é alcançar 40% no mesmo período.
As metas estão no 15º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento da Indústria de Veículos de Nova Energia Inteligentes e Conectados, divulgado pelo governo chinês em 11 de setembro. O documento orienta a política industrial do setor e amplia o foco para além dos carros elétricos.
Eletrificação e software
A categoria de veículos de nova energia inclui carros elétricos, híbridos plug-in e modelos movidos a células de combustível de hidrogênio. O plano também prevê a expansão de tecnologias de direção autônoma, cockpits inteligentes, sistemas de assistência ao motorista, computação embarcada e conexão entre veículos e infraestrutura.
Segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, cerca de 70% dos carros de passeio novos vendidos na China desde o início de 2026 já contam com sistemas combinados de assistência ao motorista. O governo pretende colocar a indústria automobilística chinesa entre as líderes mundiais e ampliar a participação de empresas do país na definição de padrões internacionais para veículos inteligentes.
A China está próxima da meta de eletrificação. Os veículos de nova energia já representam cerca de dois terços das vendas de carros de passeio no país. Em agosto, a participação chegou a 65,2% das vendas no varejo doméstico.
No segmento comercial, o objetivo de 40% exige uma expansão maior, especialmente entre veículos pesados e de longa distância. Autonomia, infraestrutura de recarga e tempo de abastecimento são desafios maiores nesses modelos.
Menos fragmentação na indústria
O plano não prevê apenas a ampliação da produção. O governo chinês quer controlar melhor a capacidade produtiva, combater o excesso de investimentos e estimular fusões e reorganizações no setor.
A estratégia ocorre em meio à guerra de preços entre montadoras chinesas. Pequim também passou a combater o que classifica como competição desordenada por preços. Na área de baterias para armazenamento de energia, autoridades suspenderam temporariamente novas aprovações de fábricas por causa de preocupações com excesso de capacidade e disputa por preços.
A orientação indica uma mudança na política industrial: além de produzir veículos em grande escala, as empresas deverão ganhar competitividade e desenvolver tecnologias mais sofisticadas.
Reflexos no Brasil
A China exportou 2,91 milhões de veículos de nova energia nos sete primeiros meses de 2026, alta de 120% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esses modelos responderam por 47,4% das exportações de veículos chineses no período.
O movimento já alcança o mercado brasileiro. A Agência Internacional de Energia aponta que 85% dos carros elétricos vendidos no país em 2025 foram fabricados na China. Empresas como BYD e Great Wall Motor também ampliam a produção local.
Com isso, a disputa deixa de envolver apenas a origem dos veículos. Ela passa a incluir preços, oferta de modelos, baterias, sistemas de assistência ao motorista e fornecedores de componentes.
A competição também avança para o fornecimento de tecnologia. A Xpeng anunciou planos para oferecer a fabricantes estrangeiras arquitetura eletrônica, sistemas de cockpit, chips de inteligência artificial e softwares de assistência ao motorista. A empresa mantém uma parceria tecnológica com a Volkswagen.
O plano chinês não determina quantos veículos serão vendidos no Brasil nem garante que todas as metas serão cumpridas. Mas mostra que a disputa envolve, além dos carros, baterias, eletrificação, automação e software. Para o consumidor brasileiro, isso pode ampliar a oferta de tecnologias que antes estavam concentradas em modelos mais caros.



