CHINA — A missão do Consórcio Nordeste à China resultou em acordos e propostas de cooperação nas áreas de agricultura familiar, saúde e combate à desertificação. A visita ocorreu entre 29 de agosto e 4 de setembro.
Um dos principais encaminhamentos é a expansão do acordo com a Universidade Agrícola da China (CAU) para mecanizar propriedades da agricultura familiar. A cooperação prevê a entrega de máquinas de médio e pequeno porte e equipamentos chineses de monitoramento.
O projeto-piloto começou em 2022 e disponibilizou 62 máquinas, drones pulverizadores e mais de 60 conjuntos de sistemas de análise de dados para propriedades do Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Paraíba.
De acordo com levantamento apresentado por Yang Minli, diretora do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento da Mecanização Agrícola da China, a produtividade de hortaliças aumentou de seis a sete vezes, enquanto os custos com mão de obra caíram 80%. A eficiência na colheita de arroz cresceu quase sete vezes, e a renda das famílias aumentou entre 80% e 90%.
O Nordeste concentra quase metade da agricultura familiar do país, mas somente 1,3% das propriedades são mecanizadas. Para alcançar a meta de 70% prevista na nova política de industrialização nacional, a demanda estimada é de 1,2 milhão de equipamentos.
Na saúde, está em discussão a ampliação da cooperação em intercâmbio clínico, pesquisa e tecnologia entre o Ceará e o Hospital Cardiovascular da Universidade de Xiamen. A delegação também conheceu hospitais inteligentes chineses que usam inteligência artificial, automação, dados e equipamentos integrados à gestão e ao atendimento.
Combate à desertificação
A Caatinga deve receber um projeto-piloto inspirado na recuperação de áreas degradadas do deserto de Kubuqi, em Ordos, na Mongólia Interior. A proposta combina energia solar, produção agrícola e aquicultura. Também está em discussão um acordo de “cidades irmãs” entre Ordos e um município nordestino para testar e adaptar tecnologias chinesas ao semiárido.
“Retornamos ao Brasil com uma agenda concreta de cooperação China–Nordeste”, afirma Carlos Gabas, secretário executivo do Consórcio Nordeste.



