Os Estados Unidos propuseram ser informados antes da conclusão de determinadas operações envolvendo ativos brasileiros de mineração, como condição para uma possível redução das tarifas aplicadas a produtos do Brasil. A exigência fazia parte das negociações comerciais entre os dois governos e incluía minerais críticos e estratégicos.
A proposta previa mecanismos para acompanhar transferências e aquisições de ativos ligados à mineração. Também estabelecia restrições ao acesso de investidores classificados pelos Estados Unidos como agentes “não orientados pelo mercado”. No governo brasileiro, a expressão foi interpretada principalmente como uma referência à China.
O governo brasileiro considerou as condições inaceitáveis. Por isso, elas não foram incluídas nos termos inicialmente apresentados nas tratativas. A medida buscava ampliar a influência americana sobre operações relacionadas a recursos considerados estratégicos.
As negociações ocorreram durante o aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Medidas adotadas pelos americanos ao longo de 2026 passaram a atingir parte relevante das exportações brasileiras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as novas sobretaxas, decorrentes de investigações baseadas na legislação comercial dos Estados Unidos, alcançaram aproximadamente 23,1% das vendas brasileiras para o país, tomando como referência o comércio de 2024.
Política brasileira para minerais críticos
Minerais críticos e terras raras são usados na fabricação de baterias, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa. Esses recursos estão no centro da disputa econômica entre Estados Unidos e China.
O Brasil tem reservas relevantes de diferentes minerais estratégicos. Nesta quarta-feira, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A legislação estabelece mecanismos para estimular pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos no território brasileiro.
A política também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Entre os objetivos está ampliar a agregação de valor no país e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas.
Os instrumentos de incentivo previstos na lei podem mobilizar até R$ 7 bilhões para projetos de pesquisa, extração e transformação. A estratégia brasileira é usar as reservas minerais também como base para a industrialização e o desenvolvimento tecnológico, e não apenas como produto de exportação.



