PARIS — O Vaticano recusa um encontro privado entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o papa Leão XIV durante a passagem do pontífice pela Catedral de Notre-Dame, em Paris. O pedido é feito por canais diplomáticos e prevê alguns minutos para que Macron apresente as obras de restauração do templo em 25 de setembro.
A Secretaria de Estado do Vaticano formaliza a negativa. O governo francês pretende mostrar ao papa, também conhecido como cardeal Robert Prevost, a reconstrução da catedral, financiada em grande parte pelo Estado após o incêndio de 15 de abril de 2019.
Macron não participa das Vésperas que Leão XIV celebra em Notre-Dame, mas solicita uma reunião separada. A programação do pontífice na França ocorre entre 25 e 28 de setembro e inclui compromissos em Paris e na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A agenda é apresentada como uma das razões práticas para a recusa.
A decisão também envolve diferenças políticas entre Paris e Roma. A posição de Macron sobre a legislação de fim da vida, contrária à doutrina da Igreja Católica, aparece como um ponto de atrito. Há ainda preocupação com a possibilidade de que uma aparição conjunta em Notre-Dame passe a impressão de proximidade excessiva entre o papa e o Palácio do Eliseu.
O Vaticano trata a viagem principalmente como uma agenda apostólica, voltada a temas religiosos e pastorais, enquanto o governo francês a vê também como uma ocasião de Estado. A Secretaria de Estado afirma que a agenda do pontífice está “carregada” e que a catedral deve ser devolvida rapidamente aos fiéis após as Vésperas, sem interrupções adicionais.
A reabertura de Notre-Dame está prevista para dezembro de 2024, em um marco de simbolismo para a França.



