Os preços no país caíram 0,32% em agosto, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 11. O resultado ficou abaixo das projeções do mercado e reforçou a expectativa de um novo corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
A deflação, porém, foi influenciada principalmente por um fator temporário. O grupo Habitação recuou 1,87% e retirou 0,29 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial caiu 7,63% e contribuiu sozinha com uma redução de 0,33 ponto percentual no índice.
A queda na tarifa ocorreu por causa do bônus de Itaipu, crédito temporário repassado às contas dos consumidores com recursos excedentes ligados à comercialização da energia produzida pela usina hidrelétrica. Com o fim do benefício, a conta de luz tende a voltar ao patamar normal, o que pode pressionar o índice nos próximos meses.
Inflação acumulada e juros
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, afirma que o resultado é positivo, mas precisa ser separado de uma possível mudança estrutural na trajetória dos preços. Para ele, a composição da deflação de agosto dificulta a extensão do resultado para os períodos seguintes.
Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, avalia que, sem a energia elétrica, o IPCA teria registrado alta no mês. Segundo ele, a redução da tarifa não representa necessariamente uma queda disseminada do custo de vida. As despesas pessoais tiveram a maior variação positiva entre os grupos pesquisados.
Além da energia, as passagens aéreas ficaram 13,17% mais baratas, os combustíveis recuaram e o grupo Alimentação e bebidas também contribuiu negativamente para o índice.
No acumulado em 12 meses, o IPCA passou para 4,22%, abaixo da projeção de 4,27% indicada pelo mercado. A combinação entre a deflação mensal e a inflação acumulada menor fortaleceu a aposta predominante em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14% ao ano.
Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, considera que o resultado abre espaço para mais uma redução dos juros. O relatório Focus já incorporava a previsão de um corte de 25 base points, expectativa reforçada pela deflação de agosto.
A evolução dos serviços, dos núcleos de inflação e das expectativas deve ajudar a indicar se a desaceleração dos preços continuará e qual poderá ser o ritmo de uma eventual flexibilização monetária.

