SÃO PAULO — O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, associou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante ato na Avenida Paulista pelo Dia da Independência. Ele afirmou que, se for eleito, vai recuperar a credibilidade do Judiciário brasileiro.
Com o mote “fora Lula e fora Moraes”, o evento reuniu milhares de pessoas em uma tarde de frio de cerca de 12 ºC e tempo fechado na capital paulista. A eleição presidencial está marcada para 4 de outubro. Flávio declarou que pretende vencer no primeiro turno e disse que quer ser “o libertador da pátria”.
“Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar”, afirmou o senador. Ele também disse que não permitirá que Lula indique mais ministros para o STF e declarou que pretende nomear cinco integrantes para a corte. Segundo Flávio, Moraes “vai cair”.
Moraes ocupa uma cadeira no Supremo desde 2017, quando foi indicado pelo então presidente Michel Temer. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o ministro foi alvo recorrente de críticas do ex-presidente. Em 2021, Bolsonaro o chamou de “canalha” e afirmou que não cumpriria suas decisões. Em 2023, Moraes foi relator do processo que levou à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar devido a condições de saúde.
As críticas recentes a Moraes também mencionaram um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi liberado pelo ministro André Mendonça. O documento mostra mensagens de Daniel Vorcaro, do Master, nas quais o banqueiro questiona se Moraes poderia reverter investigações contra ele. Vorcaro mantinha ainda um contrato de cerca de R$130 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Críticas ao Judiciário e às eleições
No discurso, Flávio chamou Moraes de “laranja podre” e afirmou que a presença do ministro não pode contaminar o tribunal. “O Supremo não é Alexandre de Moraes, o Judiciário não é Alexandre de Moraes”, disse.
O senador também afirmou que poderá haver tentativa de interferência nas eleições. Ao citar os oito anos do atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018, classificou a condenação por golpe de Estado como uma “segunda facada” e disse que uma terceira estaria a caminho.
Recentemente, Flávio se reuniu com diplomatas e levantou dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, inclusive com informações já conhecidamente falsas. Uma das condenações de Jair Bolsonaro à inelegibilidade está relacionada a uma reunião com embaixadores realizada em 2022 para atacar as urnas eletrônicas.
No comício, Flávio repetiu a previsão de vitória no primeiro turno, que já havia apresentado em entrevista à TV Globo.



