O Ibovespa recua 0,58%, aos 182 415 pontos, por volta das 10h30 desta segunda-feira, 28. O dólar supera R$ 5,20, em uma sessão marcada pela pressão do petróleo, pela piora das expectativas para a inflação e pela proximidade das eleições.
A Bolsa brasileira dá continuidade à sequência negativa iniciada na semana anterior. Na sexta-feira, 25, o índice caiu 0,27%, aos 183 476 pontos, e completou o terceiro pregão consecutivo de baixa. Na semana, acumulou perda de 0,95%.
No exterior, o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã pressiona o petróleo e aumenta a procura por ativos considerados mais seguros. O dólar também se fortalece diante de outras moedas emergentes. Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a pesquisa eleitoral brasileira contribui para a pressão sobre o câmbio, mas a alta da moeda americana não se limita ao cenário doméstico.
Inflação e juros
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, eleva pela segunda vez consecutiva a projeção do mercado para o IPCA de 2026, de 4,92% para 4,99%. Para 2027, a estimativa passa de 4,30% para 4,31%.
A previsão para a Selic ao fim deste ano permanece em 13,50%. A taxa básica está em 14%, e as projeções ainda indicam uma redução adicional de 0,50 ponto percentual até dezembro.
A permanência do petróleo em níveis elevados pode dificultar esse processo, ao pressionar combustíveis e custos de transporte. Nesse cenário, os juros futuros tendem a subir, afetando especialmente varejistas, construtoras e empresas dependentes de crédito. A valorização do barril, por outro lado, pode favorecer as ações da Petrobras, que têm peso relevante no Ibovespa.
Eleições
A menos de uma semana do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, os investidores acompanham novas pesquisas. Levantamento BTG/Nexus mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 44%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
No primeiro turno, Lula registra 42%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Foram entrevistados 2 mil eleitores entre 25 e 27 de setembro, por telefone. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07557/2026.
Para Murad, a proximidade da votação aumenta a volatilidade do mercado, principalmente pelas expectativas sobre a condução da política fiscal no próximo governo. Petróleo, inflação, juros e eleições devem continuar entre os fatores acompanhados pelos investidores.


