O mercado financeiro brasileiro deve abrir em alta nesta segunda-feira (5), após Flávio Bolsonaro (PL) superar as expectativas das pesquisas e liderar o primeiro turno das eleições presidenciais realizado neste domingo (4). Analistas projetam valorização das ações e fortalecimento do real diante do resultado.
Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu cerca de 45%. Os dois candidatos avançam para o segundo turno, previsto para o final deste mês. As pesquisas indicavam que Lula terminaria a primeira etapa na liderança, com Flávio Bolsonaro em segundo lugar.
Pedro Galdi, analista de investimentos da AGF Investments, afirma que o mercado busca mudança e reformas, além de rejeitar um déficit público elevado. Ele espera alta nas ações brasileiras e valorização do real frente ao dólar.
Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, prevê uma reação semelhante à registrada há quatro anos, quando Jair Bolsonaro teve desempenho acima do esperado contra Lula. Na ocasião, a moeda brasileira se valorizou mais de 4% em relação ao dólar, e o índice de ações de referência do Bovespa subiu 5,5% no dia seguinte ao primeiro turno.
Chermont estima queda do dólar entre 2% e 4%, alta das ações de 4% a 6% e redução significativa nas taxas de juros nominais e reais.
Bryan Harris, sócio-gerente da Sabio, diz que o resultado pode recuperar a confiança dos mercados brasileiros no curto prazo. Para ele, investidores vão esperar sinais de Flávio Bolsonaro sobre o compromisso com a solução dos problemas do país. Harris também afirma que o senador demonstrou pouca aptidão para formular políticas econômicas.
Disputa no segundo turno
A campanha reuniu 12 candidatos e foi marcada por debates sobre custo de vida, corrupção, criminalidade e insegurança. Esses temas devem permanecer no centro da disputa, enquanto os escândalos envolvendo os principais candidatos também seguem para o segundo turno.
Aliados de Lula afirmaram, antes da votação, que o governo de Donald Trump poderia não reconhecer uma eventual vitória do presidente brasileiro. Trump não declarou apoio formal a nenhum candidato, mas recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca e o elogiou publicamente.
Também houve alertas sobre possíveis interferências externas. Autoridades brasileiras informaram autoridades francesas e alemãs sobre supostas interferências dos Estados Unidos e da Rússia antes da eleição. Os Estados Unidos rejeitaram as alegações.



