O caso do Banco Master avançou da suspeita de fraude financeira para investigações envolvendo autoridades do Legislativo e do Judiciário. A apreensão do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, revelou conversas e registros sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), senadores e outros agentes públicos.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. As suspeitas iniciais envolvem fraude bilionária, venda de carteiras de crédito sem lastro e emissão de títulos que a instituição não teria condições de honrar. A Polícia Federal também investiga possíveis pagamentos, presentes, convites e benefícios em troca de informações e medidas favoráveis ao banco.
A Operação Compliance Zero chegou a dez fases até julho. O caso era supervisionado por Dias Toffoli, mas passou para André Mendonça em fevereiro, após suspeitas sobre a relação de Toffoli com negócios de um fundo ligado ao Master.
Investigações sobre Flávio Bolsonaro
Uma das frentes apura o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Mensagens e um áudio indicam que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para a produção. O projeto teria recebido R$ 61 milhões. O senador passou a dizer que se tratava de patrocínio e negou irregularidades.
Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Outra apuração, comandada por Flávio Dino, analisa o filme e envolve a produtora Karina Gama e o deputado Mario Frias. A PF investiga se R$ 2 milhões em emendas parlamentares direcionadas por Frias foram usados em contratos não cumpridos.
Contratos e crise no STF
Documentos liberados por Mendonça indicam contatos frequentes entre Vorcaro e Alexandre de Moraes entre março de 2024 e agosto de 2025. Também foram identificados contratos entre empresas do ex-banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Um deles soma R$ 131 milhões; outro prevê R$ 50 milhões, com possibilidade de pagamento por bens, incluindo cotas de um jatinho e de um helicóptero.
A divulgação dos documentos ampliou o conflito no STF. Edson Fachin marcou sessão para a próxima terça-feira (15) e adotou medidas para reduzir a tensão, incluindo a retirada de Moraes da relatoria do inquérito das Fake News e a suspensão de decisões sobre a direção da PF.
As quebras de sigilo também alcançaram investigações sobre Ciro Nogueira, Cláudio Castro, Jaques Wagner e Thiago Miranda. As apurações envolvem possíveis vantagens financeiras, atuação em favor do Banco Master e aplicações de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência. Os parlamentares e governadores citados negam irregularidades.



