HEFEI — A China apresenta uma nova etapa de sua indústria na Convenção Mundial de Manufatura de 2026, aberta neste domingo (20) em Hefei, capital de Anhui. O país combina produção em larga escala com tecnologias como robôs humanoides, chips de memória, baterias de nova geração, inteligência artificial, computação quântica e biotecnologia.
O evento reúne mais de 2 mil participantes chineses e estrangeiros, distribuídos em dez áreas temáticas e uma exposição de 70 mil metros quadrados. Mais de 500 representantes estrangeiros participam da convenção, incluindo empresas dos Estados Unidos, França e Rússia.
Anhui concentra novos setores
A província de Anhui, antes associada à fabricação de eletrodomésticos, abriga empresas de semicondutores, baterias e robótica. Entre elas estão a ChangXin Memory Technologies (CXMT), a Gotion High-Tech e a AiMOGA, divisão de robótica da montadora Chery. Hefei também concentra projetos de fusão nuclear e computação quântica.
A mudança faz parte de uma estratégia nacional que prioriza inteligência artificial, inteligência incorporada, tecnologias quânticas, biomanufatura e a integração entre a economia digital e a produção industrial.
Em agosto, a produção da indústria chinesa de alta tecnologia cresceu 16,7% na comparação com o mesmo mês de 2025. A fabricação de equipamentos avançou 12,1%, enquanto a produção de robôs industriais aumentou 34,6% e a de baterias de íons de lítio, 57,2%.
Chips e baterias entram em destaque
A CXMT anunciou o início da produção em massa da quinta geração de sua plataforma tecnológica de memórias DRAM. Segundo a empresa, a tecnologia permite fabricar circuitos menores e elevar em pelo menos 50% o número de chips produzidos em cada wafer em relação à geração anterior. Dois produtos para smartphones e dispositivos portáteis já estão em produção em massa.
A companhia também apresentou seu chip LPDDR6, cuja produção em massa começou em agosto. A tecnologia já é usada comercialmente no smartphone dobrável Xiaomi 18 Fold.
A Gotion High-Tech lançou a bateria inteligente G-Yuan. Segundo a empresa, o produto oferece autonomia superior a mil quilômetros com uma carga completa e pode recuperar energia suficiente para percorrer 500 quilômetros após nove minutos de recarga. A companhia pretende usar a bateria em carros elétricos, veículos voadores e robôs de alto desempenho.
A Chery relaciona o desenvolvimento de veículos inteligentes à expansão da AiMOGA. “Hoje, o carro inteligente é, na verdade, um robô sobre quatro rodas”, afirmou Xia Peng, vice-gerente-geral executivo da divisão. De acordo com ele, mais de 90% das cadeias de suprimentos dos dois setores são compartilhadas, incluindo sistemas de transmissão, controladores, sensores lidar e câmeras.
Cooperação internacional
O Reino Unido é o país convidado de honra da edição. O embaixador britânico na China, Peter Wilson, classifica como “muito promissoras” as perspectivas de cooperação com Anhui e afirma que Londres busca investimentos industriais e atividades de pesquisa e desenvolvimento, além da compra de produtos chineses.
Representantes da Costa do Marfim e da Alemanha também defendem maior aproximação com empresas chinesas. O embaixador marfinense Abou Dosso afirma que empresários de seu país participam da convenção em busca de parcerias.
A transformação apresentada em Hefei combina setores como automóveis elétricos, inteligência artificial, baterias, sensores e robótica. A estratégia amplia a atuação chinesa nas cadeias globais e aproxima a pesquisa tecnológica da produção industrial em escala.



