Mensagens e documentos indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro o repasse de 24 milhões de dólares, então equivalentes a cerca de R$ 134 milhões, para financiar Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Os registros apontam que pelo menos 10,6 milhões de dólares, cerca de R$ 61 milhões conforme a cotação dos períodos das transferências, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Não há evidências, nas mensagens, de que os outros oito pagamentos previstos tenham sido feitos.
A negociação envolveu também Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, além do empresário Thiago Miranda e de Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro. Parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado ao projeto.
Em 14 de fevereiro de 2025, um comprovante registra uma transferência internacional de 2 milhões de dólares para o fundo. Em agosto, uma tabela indicava que 10,6 milhões de dólares haviam sido enviados de um total previsto de 23,9 milhões de dólares.
Cobranças e respostas
As mensagens mostram Flávio cobrando Vorcaro por atrasos nos repasses. Em 8 de setembro, o senador alertou para o risco de a produção perder contratos e profissionais internacionais. Em 22 de outubro, afirmou que as filmagens estavam no limite e que seria necessário buscar outro caminho se o apoio não continuasse. Em 16 de novembro, escreveu ao banqueiro: “Só preciso que me dê uma luz!”.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 enquanto tentava deixar o país. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Banco Master. O caso deixou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.
Questionado sobre o financiamento, Flávio respondeu: “É mentira”. A defesa de Mario Frias confirmou os contatos, mas disse que eles representavam uma relação legítima entre o idealizador do projeto e um potencial apoiador privado. Eduardo Bolsonaro, Vorcaro e outros envolvidos não responderam aos questionamentos até a publicação.



