SÃO PAULO — O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite é alvo da operação Vectura Corrupta, que investiga uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo. A polícia decretou a prisão de Leite, que é considerado foragido. Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual pelo partido de Flávio Bolsonaro, foi preso.
A ação pretende cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A operação é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Conforme a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam possível atuação de integrantes e intermediários da facção em empresas e em procedimentos licitatórios do transporte público da capital.
Acordos políticos
A relação entre Milton Leite e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se consolidou em um evento na Vila Emir, na zona sul de São Paulo, em 17 de janeiro de 2024. A cerimônia marcou a entrega da primeira fase da Usina Fotovoltaica Flutuante Araucária, mas também foi acompanhada por manifestações de apoio ao então presidente da Câmara.
Na ocasião, Tarcísio elogiou Leite ao falar diante dos apoiadores: “Que o Milton é querido, tudo bem, a gente já sabia. Agora, lindão?”.
Nos meses anteriores, Leite negociou com Tarcísio e com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) a privatização da Sabesp e as eleições municipais de 2024. O projeto dependia da aprovação da Câmara Municipal porque havia uma cláusula no contrato da estatal com o município de São Paulo. Leite mantinha a proposta sem votação desde setembro de 2023.
O então vereador buscava recuperar influência no Palácio dos Bandeirantes e participar da escolha do vice na chapa de Nunes. Também usava a pré-candidatura do deputado federal Kim Kataguiri à Prefeitura de São Paulo para pressionar o prefeito e negociar o apoio do União Brasil, partido que liderava na capital.
Após os acordos, Leite acelerou a tramitação do projeto na Câmara Municipal. A cláusula que impedia a venda da estatal à iniciativa privada foi derrubada. Nunes apoiou Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara, enquanto Tarcísio garantiu o retorno da influência de Leite no governo paulista por meio da indicação de Arthur Lima, do União Brasil, após a saída de Gilberto Kassab (PSD) da Casa Civil.
Há 18 dias, no lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal, Tarcísio voltou a elogiar a família do ex-vereador. O governador disputa a reeleição para o governo paulista.



