BEIJING — O investimento estrangeiro direto (IED) nos setores de alta tecnologia da China cresceu 35,1% nos primeiros oito meses de 2026, apesar da queda nos fluxos gerais de entrada. O volume chegou a 200,26 bilhões de yuans (US$ 29,66 bilhões), equivalente a 41,7% do total nacional — alta de 12,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período anterior, informou o Ministério do Comércio.
No período, foram criadas 42.582 novas empresas com investimento estrangeiro, crescimento anual de 0,3%. O IED efetivamente utilizado somou 479,95 bilhões de yuans, recuo de 5,3% na comparação anual.
A indústria manufatureira recebeu 119,55 bilhões de yuans, enquanto o setor de serviços atraiu 350,42 bilhões de yuans. Entre as áreas de maior expansão estão os serviços de pesquisa e desenvolvimento e design, com alta de 74%; os serviços de comercialização de conquistas científicas e tecnológicas, com avanço de 64,2%; e a fabricação de equipamentos eletrônicos e de telecomunicações, que cresceu 41,9%.
Zhang Xiaotao, diretor do Centro de Pesquisa em Investimento Internacional da Universidade Central de Finanças e Economia, afirmou que a atratividade chinesa para o capital global passa de um modelo orientado por custos para outro baseado em inovação. Ele citou talentos de alto nível em pesquisa e desenvolvimento, infraestrutura industrial, cadeias de suprimentos e o estímulo a setores emergentes como fatores desse movimento.
Medidas e novos projetos
Em junho, a China apresentou um plano de ação com 15 medidas para estabilizar e otimizar o uso do investimento estrangeiro. As iniciativas incluem ampliar o acesso ao mercado, simplificar procedimentos, promover investimentos e reforçar serviços e garantias aos investidores.
A nova versão do Catálogo de Setores Incentivados para Investimento Estrangeiro entrou em vigor em 1º de fevereiro de 2026. O documento direciona capital para a manufatura avançada, serviços modernos, indústrias de alta tecnologia, conservação de energia e proteção ambiental.
Nos primeiros oito meses de 2026, os investimentos efetivos da França, da Suíça e da República da Coreia cresceram 39,2%, 16,7% e 16,5%, respectivamente.
A STI, fabricante sul-coreana de equipamentos para semicondutores, constrói uma base em Guangzhou, com investimento aproximado de 12,4 bilhões de yuans. A alemã Schaeffler investe mais 1 bilhão de yuans em uma fábrica de robótica humanoide na Província de Jiangsu.
Para Chen Jianwei, professor da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, os investimentos indicam a posição do mercado chinês na cadeia de valor global. Ele disse que a participação da alta tecnologia no investimento estrangeiro deve continuar crescendo, com centros de pesquisa e desenvolvimento e sedes regionais ampliando sua presença no país.



