A Polícia Federal afirma que pagamentos feitos por PIX, bancos digitais e criptomoedas podem ajudar a identificar envolvidos na venda de material de abuso sexual infantil. O uso de contas registradas em nome de terceiros, segundo investigadores, não impede o rastreamento das transações.
Crianças e adolescentes vítimas dos abusos, além de ex-namoradas dos suspeitos, aparecem entre os titulares de contas usadas para tentar ocultar a origem do dinheiro. A investigação também encontrou operações por meio de bancos digitais e fintechs. Em alguns casos, redes criminosas criam empresas do setor financeiro para movimentar recursos sem armazenar dados ou responder às autoridades.
Em uma ocorrência, a chave PIX informada por um suspeito usava um endereço de e-mail com domínio da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul. A pasta disse que procurou as autoridades para investigar o caso.
Como a venda é organizada
Publicações no TikTok exibem códigos nos comentários, usados para levar interessados a conversas no Telegram. No aplicativo, os pacotes custam de R$ 10 a R$ 35. Há também cobranças de US$ 11,99 (cerca de R$ 62), US$ 17,50 (aproximadamente R$ 90) e US$ 25 (equivalentes a cerca de R$ 130).
Antes da transferência, os suspeitos enviam vídeos autodestrutivos como amostra. O arquivo desaparece depois da primeira visualização. Com o pagamento confirmado, o conteúdo é encaminhado em conversas privadas ou grupos.
A PF afirma que os dados da conta usada no pagamento ficam registrados e podem ser empregados para identificar compradores. Transações consideradas atípicas ou feitas a partir de regiões diferentes também podem levar bancos a bloquear contas.
Resposta das plataformas
O Telegram informou que proibiu a distribuição desse material e declarou ter removido 339.760 grupos e canais relacionados ao conteúdo em 2026. “A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram”, afirmou a empresa.
O TikTok disse que remove rapidamente publicações desse tipo e bane permanentemente as contas envolvidas. A plataforma afirmou que 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos de forma proativa no primeiro trimestre de 2026.
Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, de forma anônima; pela Polícia Militar, no 190, em situações de risco imediato; pelo Samu, no 192, para pedidos urgentes; em delegacias, unidades especializadas, no Ministério Público e em outros canais oficiais.



