BRASÍLIA — O bispo JB Carvalho defendeu, em livro publicado em 2001, que Nossa Senhora Aparecida deixasse de ser reconhecida como padroeira do Brasil. Na obra A Bomba: A verdade pode ser explosiva, ele também questionou a legalidade do feriado nacional de 12 de outubro e pediu mobilização de cristãos e parlamentares para mudar o reconhecimento da santa.
No capítulo A Rainha dos Céus no Brasil, Carvalho afirma que a homenagem seria incompatível com a separação entre Igreja e Estado. O religioso defende que Jesus Cristo seja reconhecido como único Senhor do Brasil e sustenta que a legislação sobre a santa deveria ser alterada por deputados e senadores.
A avaliação sobre a legalidade da norma é uma posição apresentada pelo próprio bispo. Não há, no conteúdo, declaração de inconstitucionalidade feita pela Justiça. Na parte final do livro, Carvalho convoca cristãos a protestar contra o que chama de institucionalização de uma forma de adoração pagã.
Relação com a família Bolsonaro
Carvalho é fundador da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada por Flávio Bolsonaro. Flávio e Fernanda Bolsonaro foram batizados na instituição em 2024, e o então senador passou a frequentar os cultos.
Em 7 de dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República, Flávio fez na igreja sua primeira aparição pública após o anúncio. Em novembro de 2025, ele levou a Jair Bolsonaro um exemplar de Metanoia: A chave está em sua mente, escrito pelo bispo. Em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro entregou ao ex-presidente outra obra de Carvalho, A jornada de meninos a homens.
A proximidade entre o líder religioso e a família Bolsonaro não comprova que Flávio tenha aderido às posições religiosas e políticas apresentadas nos livros do bispo.
Flávio nega proposta
Flávio Bolsonaro negou que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A declaração ocorreu após publicações nas redes sociais atribuírem ao candidato um plano para fazer a mudança caso chegasse à Presidência.
Em vídeo divulgado em agosto de 2026, Flávio afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. A fala não mencionou Aparecida nem propôs retirar o reconhecimento da santa.
Durante a controvérsia, a campanha promoveu uma transmissão com representantes de diferentes religiões. Entre os participantes estava Sérgio Pina, apresentado como pai de santo do candomblé.
O que diz a lei
A Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A norma também declara 12 de outubro feriado nacional e estabelece a data para a celebração dedicada à santa.




