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Livro de bispo ligado aos Bolsonaro associa Aparecida a castigos sobre o Brasil

Obra publicada em 2001 defende que Nossa Senhora Aparecida representa a chamada “Rainha dos Céus” e pede seu “destronamento”.

Livro de bispo ligado aos Bolsonaro associa Aparecida a castigos sobre o Brasil
Foto: Ricardo Stuckert/Pablo PORCIUNCULA/AFP

O bispo J.B. Carvalho, da Comunidade das Nações, publicou em 2001 um livro que associa Nossa Senhora Aparecida a uma entidade pagã e atribui ao culto mariano possíveis castigos contra o Brasil. A obra A Bomba – A verdade pode ser explosiva defende que a devoção a Maria seria uma continuidade de antigas religiões pagãs incorporada ao cristianismo católico.

No capítulo dedicado à padroeira brasileira, Carvalho reconta a história da imagem encontrada no rio Paraíba do Sul em 1717. Ele afirma que Nossa Senhora Aparecida seria uma manifestação da chamada “Rainha dos Céus”, entidade que, em sua interpretação, aparece em diferentes culturas sob nomes diversos. O livro também relaciona essa figura a deusas da Antiguidade, como Ísis e Astarte.

Carvalho escreve que, depois de Aparecida ser estabelecida como padroeira do Brasil, o país teria “afundado” em recessão, além de enfrentar explosão da inflação, secas no Nordeste, enchentes no Sudeste e aumento da criminalidade. Esses acontecimentos são apresentados como possíveis manifestações do juízo de Deus provocado pelo culto à “Rainha dos Céus”.

A argumentação recorre principalmente ao episódio bíblico da “Rainha dos Céus”, em Jeremias 7, e ao relato de arrependimento nacional de 2 Crônicas 7:14. O autor defende que o Brasil se arrependa desse culto e afirma que seria necessário “destronarmos a Rainha em nossa nação”. Também sustenta que o feriado de 12 de outubro seria ilegal.

A legislação brasileira estabelece desde 1980 o dia 12 de outubro como feriado nacional dedicado a Nossa Senhora Aparecida, definida como “Padroeira do Brasil”. A Lei 6.802/1980 permanece registrada pela Câmara dos Deputados sem revogação expressa. A afirmação de Carvalho sobre a ilegalidade do feriado é, portanto, uma interpretação jurídico-teológica do bispo, não a descrição da situação legal indicada no texto da lei.

Aproximação com a família Bolsonaro

A visão religiosa apresentada no livro antecede o bolsonarismo. Em 2022, a Comunidade das Nações foi um espaço de mobilização em favor de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial. Na Conferência Global 22 Renascimento, líderes da igreja falaram sobre um Brasil governado pela igreja com Bolsonaro reeleito.

Na oração inicial do evento, Carvalho afirmou: “Jesus, seja entronizado nessa nação”. Após a derrota eleitoral, ele pregou durante a apuração e declarou que “nada está perdido”, além de dizer: “Jesus é o senhor dessa Pátria”.

Flávio Bolsonaro e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na igreja fundada por Carvalho. Em 2025 e 2026, obras do bispo também foram levadas por Flávio a Jair Bolsonaro durante visitas ao ex-presidente.

O prefácio de A Bomba é assinado pelo bispo Átila Brandão. No livro, Carvalho afirma que a “Rainha dos Ceus” se mascara no Brasil com o nome de Aparecida. A obra combina a crítica ao catolicismo com uma convocação para que cristãos defendam a retirada do título de padroeira concedido a Nossa Senhora Aparecida.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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