Na reta final da campanha presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva amplia viagens, entrevistas e publicações nas redes sociais para mobilizar apoiadores. A estratégia também inclui a aproximação com fã-clubes de artistas pop, principalmente grupos ligados a nomes que já apoiaram o presidente ou são associados a pautas progressistas.
A iniciativa mira especialmente o eleitorado jovem. Perfis oficiais da campanha passaram a divulgar conteúdos sobre grupos como “Anitters com Lula”. Anitta declarou voto em Lula em 2022. Também foram citadas Marina Sena e Luísa Sonza, que já se manifestaram a favor do presidente.
A escolha dos fã-clubes segue a orientação de priorizar artistas alinhados a pautas de esquerda ou progressistas. Por esse critério, grupos ligados a Ana Castela não aparecem nas publicações. A cantora já deu declarações interpretadas como favoráveis a pautas bolsonaristas e foi fotografada ao lado de nomes da direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A primeira publicação da série aproveitou o aniversário de Beyoncé. O fã-clube da cantora norte-americana apareceu em um carrossel de fotos criado para estimular o compartilhamento pelos apoiadores. A campanha considera o histórico de Beyoncé em defesa de pautas raciais.
Articulação com os grupos
Na sexta-feira (18), a Secretaria de Juventude do PT anunciou uma “plenária com fã-clubes”. O formulário de inscrição apresentava como pauta a articulação nacional dos grupos pela reeleição de Lula.
A aproximação se fortaleceu após um evento no Palácio do Planalto, durante a sanção da lei que passou a exigir a oferta gratuita de água potável em eventos com mais de 1.000 pessoas. A participação dos fã-clubes foi articulada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O tema ganhou repercussão depois que uma fã morreu durante um show de Taylor Swift no Rio de Janeiro, em meio ao forte calor.
Além dessa frente, a campanha orientou seus integrantes a reforçar a militância e a divulgação das propostas de governo. O objetivo é contrastar a agenda de Lula com a de Flávio Bolsonaro, sob o argumento de que o adversário ainda não apresentou propostas concretas para um eventual governo.
Economia e segurança pública passaram a ocupar mais espaço nas redes sociais e nos programas eleitorais. Na quinta-feira (17), o primeiro programa de Lula a tratar diretamente do preço dos alimentos e dos microempreendedores individuais, os MEIs, associou a alta dos preços a decisões tomadas durante o governo de Jair Bolsonaro, incluindo mudanças no setor de combustíveis.
A peça exibiu imagens de um prato de metal vazio e de ossos com carne, em referência à “fila do osso”, episódio que marcou a eleição de 2022. Nos primeiros programas, a campanha havia concentrado a mensagem na defesa da soberania nacional, com conteúdos sobre minerais críticos e terras raras e críticas à interferência estrangeira.



