A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nega ter produzido, autorizado ou divulgado informações falsas relacionadas à eleição presidencial. A declaração ocorre após o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmar que pessoas ligadas à entidade ajudaram a espalhar conteúdo sobre uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Em nota, a CNBB rejeita a acusação e afirma que não mantém vínculo com estruturas eleitorais ou partidárias. A entidade também diz que acusações contra a instituição precisam ser acompanhadas de fatos e provas.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição”, afirmou a conferência.
A organização declara ainda que repudia a produção e o uso de informações falsas, independentemente de quem possa ser beneficiado ou prejudicado. Flávio Bolsonaro exerce mandato no Senado pelo Rio de Janeiro e teve a candidatura presidencial registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador atribuiu ao PT a circulação do conteúdo e afirmou que integrantes da CNBB teriam colaborado para impulsionar a informação. “A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil”, disse.
Proposta arquivada
A circulação da informação ocorre apesar de uma proposta sobre o título de Nossa Senhora Aparecida ter tramitado na Câmara dos Deputados em 2007. O Projeto de Lei 2623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli, propunha trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A Câmara dos Deputados informa que o texto foi rejeitado quanto ao mérito e arquivado em 22 de agosto de 2008. Em 2018, a Casa voltou a esclarecer que a proposta estava arquivada, depois que informações falsas indicaram nas redes sociais que ela ainda estava em análise.



