Uma expedição internacional começa o monitoramento do Ártico para investigar os efeitos do aquecimento global sobre a calota polar. A missão Tara Polaris I reúne pesquisadores de doze países a bordo do Tara Polar, um navio-laboratório que ficará preso ao gelo do Oceano Ártico Central.
A equipe chegou à região após um mês de viagem desde a Noruega. O ponto de pesquisa fica próximo à Rússia e a 845 quilômetros do extremo norte do globo. O acesso foi aberto por um quebra-gelo chinês, mas a queda da temperatura deve deixar a embarcação cercada pelo gelo e os doze ocupantes isolados da civilização.
Entre os integrantes estão seis cientistas, um médico, um cozinheiro, um mecânico e três tripulantes. A oceanógrafa Nina Schuback, do Instituto Polar da Suíça, afirma que os participantes passaram por testes médicos e psicológicos e por treinamento para lidar com possíveis conflitos. A previsão é que ela permaneça oito meses na missão.
Pesquisa sobre os impactos
Uma das principais frentes de estudo analisa como a mudança na dinâmica do Ártico pode afetar os oceanos. O avanço e o recuo sazonal da calota liberam nutrientes para os ecossistemas marinhos, enquanto o descongelamento solta microrganismos que se espalham pelas correntes da Circulação Termohalina.
“É como uma grande chuva que semeia todos os oceanos”, diz Cesar Amaral, professor de biologia da UERJ. A circulação marítima distribui plânctons por uma rota de cerca de 100 000 quilômetros, alcançando a costa dos seis continentes.
Drones aquáticos e submarinos autônomos serão usados na pesquisa. Os cientistas avaliam que a alteração na distribuição do plâncton pode afetar fontes de alimentação como os peixes. Também há preocupação com a liberação de carbono armazenado no gelo e com a possível dispersão de vírus e outros organismos desconhecidos.
Rotina no gelo
Os integrantes da missão enfrentarão temperaturas de até 50 graus negativos e cerca de seis meses de noite contínua durante o inverno. A equipe fará rodízios e seguirá protocolos comuns para manter os estudos.
A expedição deve percorrer cerca de 4 000 quilômetros até o Estreito de Fram, entre a Noruega e a Groenlândia, ao longo de doze meses. Depois, o trajeto será reiniciado e repetido outras dezenove vezes. O Painel Climático da ONU prevê que o Ártico terá, até 2050, o primeiro setembro praticamente sem água congelada.



