O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a criticar o colega André Mendonça após os dois discutirem em uma sessão da Corte. A nova manifestação ocorreu dois dias depois do bate-boca.
Gilmar questiona a forma como Mendonça tratou as referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em um relatório da Polícia Federal sobre a relação de Daniel Vorcaro com autoridades. O documento foi divulgado pelo próprio Mendonça.
Segundo Gilmar, Mendonça reconheceu no plenário que a conduta de Gonet era correta e que não havia acusações contra o procurador-geral. Para o decano, a exposição de Gonet antes desse esclarecimento era evitável.
“Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, escreveu Gilmar na rede social X.
O ministro também afirma que Mendonça buscou obter vantagem política ao publicar um vídeo nas redes sociais em que agradecia o apoio popular. Na avaliação de Gilmar, essa conduta não corresponde à atuação de um magistrado imparcial.
Gilmar chamou Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Ele ainda comparou o episódio à atuação do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol na Operação Lava Jato.
Para o decano, os dois usaram vazamentos seletivos para produzir um fato antes da ação penal, obter ganhos políticos e deixar a defesa reagindo a um julgamento já formado pela opinião pública. Gilmar afirma que esse tipo de exposição enfraquece o direito de defesa e a presunção de inocência.


