Santos, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00% Santos 23°C 22° / 27°
Notícia a toda hora
Política

Entrevista questiona atuação de André Mendonça e relaciona STF ao lawfare

Cleide Martins associa decisões judiciais, mídia, economia e política em uma análise sobre soberania e disputa institucional no Brasil.

O lavajatismo do ministro André Mendonça

A atuação do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) é usada como ponto de partida para uma análise sobre lawfare, soberania nacional e interferência política. A avaliação é apresentada por Cleide Martins, advogada, pedagoga e diretora-executiva da Rede Lawfare Nunca Mais, em entrevista ao JTT.

Para Cleide, lawfare é o uso estratégico do Direito para alcançar objetivos políticos. A discussão envolve não apenas o conteúdo das decisões, mas também a definição da autoridade competente, do foro adequado e do juiz natural de cada cidadão.

A atuação de Mendonça e a Lava Jato

A análise se concentra na decisão de André Mendonça de assumir a condução de um inquérito envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva. Cleide questiona a competência do ministro para conduzir o caso e afirma que o direito a um julgamento justo deve valer para qualquer pessoa, independentemente de vínculos familiares ou políticos.

A entrevistada relaciona esse episódio à experiência da Operação Lava Jato. Na interpretação dela, o método associado à operação não desaparece, mas assume novas formas. Cleide cita estudos acadêmicos sobre a atuação dos Estados Unidos durante a Lava Jato e uma pesquisa sobre a relação entre a cobertura da operação pela imprensa estadunidense e interesses geopolíticos norte-americanos.

Ela também menciona o Projeto Pontes, realizado em 2009, como parte da aproximação entre instituições brasileiras e estadunidenses antes da Lava Jato. Segundo Cleide, a experiência de Curitiba mostra como o combate à corrupção pode ser usado em uma estratégia política mais ampla, com efeitos sobre empresas, empregos e setores da economia brasileira.

Na avaliação apresentada, o lawfare combina Direito, mídia, economia e política, e não se limita a disputas nos tribunais.

Projeto de Estado e redes internacionais

Cleide associa a trajetória política e ideológica de André Mendonça à participação dele em atividades ligadas ao Acton Institute, organização estadunidense de orientação conservadora cristã. Para ela, essa formação se relaciona a uma concepção de Estado que defende uma redução radical da presença estatal na sociedade.

“Essa coisa da redução do Estado, da aniquilação do Estado, é a aniquilação da cidadania em si mesma”, afirmou Cleide. A crítica envolve o papel do Estado em áreas como saúde, educação, previdência e proteção trabalhista.

A advogada também interpreta a presença dos Estados Unidos na política brasileira e latino-americana como parte de uma política de Estado de longo prazo. Ela cita redes de think tanks, organizações políticas, institutos e grupos de comunicação, incluindo a Atlas Network, à qual atribui a articulação de centenas de organizações em diferentes países.

Instituições, comunicação e eleições

Na entrevista, Cleide afirma que a crise envolvendo o STF integra uma disputa política mais ampla. Ela relaciona os ataques às instituições a um processo que atravessa diferentes momentos da política brasileira desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

A análise compara experiências de Ucrânia, Honduras, Bolívia, Venezuela e Argentina, apontadas por Cleide como exemplos com elementos semelhantes de desestabilização política e uso de instrumentos jurídicos, midiáticos e comunicacionais.

A comunicação digital também aparece como componente da disputa. Cleide menciona redes sociais, campanhas de desinformação e Fernando Cerimedo, além de defender que o debate sobre lawfare alcance a população e não fique restrito aos operadores do Direito.

Para a diretora da Rede Lawfare Nunca Mais, as consequências podem envolver eleições, políticas econômicas, direitos sociais e soberania nacional. A organização defende a criação de mecanismos institucionais para identificar e impedir práticas de lawfare antes que seus efeitos se consolidem.

A questão central apresentada por Cleide é o papel do sistema de Justiça em uma democracia: quem pode julgar, em qual foro, sob quais regras e com quais limites institucionais. Na interpretação dela, o lavajatismo pode reaparecer não como repetição literal da Lava Jato, mas como uso do Direito em uma disputa política mais ampla.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.