Pesquisadores da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, identificaram alterações na metilação do DNA associadas à progressão rápida de gliomas com mutação no gene IDH. O estudo foi publicado em junho na revista Nature Genetics e analisou um tipo de tumor cerebral que costuma atingir adultos jovens.
A pesquisa indica que a evolução agressiva não depende apenas do acúmulo de novas mutações genéticas. A metilação regula a expressão dos genes ao determinar quais partes do DNA são ativadas, sem modificar a sequência genética. Nos estágios mais agressivos do glioma, esse mecanismo deixa de suprimir determinadas características celulares.
Os gliomas se desenvolvem ao redor dos neurônios e são classificados conforme a velocidade de progressão. Tumores de baixo grau avançam lentamente, enquanto os de alto grau evoluem de forma rápida. Em alguns pacientes, porém, uma doença inicialmente mais estável pode acelerar de maneira repentina.
Regulação genética e progressão
A oncologista Ludmila de Oliveira Muniz Koch, coordenadora do Grupo Médico Assistencial de Neuro-oncologia do Einstein Hospital Israelita, afirma que os gliomas com mutação em IDH formam uma categoria própria e geralmente atingem adultos jovens. Embora costumem apresentar crescimento mais lento e melhor prognóstico inicial, eles podem evoluir para formas mais agressivas.
Segundo Koch, alterações na regulação genética favorecem o surgimento de células mais imaturas, com características de células-tronco, além de aumentar a capacidade de proliferação e a resistência aos tratamentos. “Isso ajuda a explicar por que alguns gliomas que permanecem relativamente estáveis por anos podem, em determinado momento, evoluir rapidamente para formas de graus mais agressivos”, afirma.
A progressão repentina está ligada, de acordo com a médica, à ausência de enzimas que coordenam a metilação. A descoberta contraria a ideia de que a aceleração da doença seria causada principalmente por novas mutações, como a alteração no gene IDH que origina o tumor.
Possíveis aplicações
O estudo ainda não tem aplicação clínica imediata, mas pode contribuir para diagnósticos e prognósticos mais precisos. Padrões de metilação identificados no futuro poderão indicar risco de progressão antes de alterações visíveis em exames de imagem.
Os resultados também podem ajudar a investigar por que alguns pacientes não respondem aos inibidores de IDH, usados com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Koch considera a hipótese de que tumores resistentes apresentem maior grau de hipometilação do DNA, o que dificultaria a reversão das células para um estado menos agressivo.
Se confirmada, essa hipótese poderá orientar a seleção de pacientes com maior possibilidade de benefício com o tratamento. Pesquisadores de diversas instituições devem continuar avaliando o papel da metilação e sua relação com a resposta às terapias.



