RIO DE JANEIRO — O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou dois policiais militares pelo homicídio qualificado da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, em Cascadura, na Zona Norte do Rio. A denúncia foi recebida nesta quarta-feira, 9, pela 2ª Vara Criminal da Capital.
José Jorge Ferreira Dias e Raphael Gomes Damasceno, ambos lotados no 9º BPM, atiraram contra o Corolla Cross branco da médica depois de confundirem o veículo com um carro suspeito. Andréa havia deixado pouco antes a casa dos pais. Atingida no tórax e no abdômen, ela morreu ainda no local.
Os policiais procuravam veículos relacionados a roubos na região. Eles perseguiam um Corolla Cross prata, mas perderam o automóvel de vista. Em seguida, localizaram o carro de Andréa e efetuaram os disparos contra a traseira, de surpresa, segundo a acusação.
Medidas determinadas pela Justiça
Laudos periciais e imagens de câmeras de segurança privadas e da Prefeitura foram usados pelo MPRJ. O órgão afirma que os agentes agiram com dolo eventual ao atirarem sem confirmar se o veículo era o mesmo que estava sendo perseguido. Para a acusação, os policiais assumiram “o risco de atingir uma pessoa sem relação com os fatos”.
A pedido do GAESP/MPRJ, a Justiça determinou o afastamento dos dois das atividades operacionais e do policiamento ostensivo. Também suspendeu o porte funcional de arma. Eles deverão permanecer em funções internas e não poderão manter contato com testemunhas e familiares da vítima nem se aproximar deles a menos de 300 metros.
Andréa tinha 32 anos de carreira e atuava como ginecologista e cirurgiã, com foco no tratamento de endometriose. Ela publicava nas redes sociais informações sobre a doença e sua rotina de atendimentos. Em vídeo de 2024, afirmou: “Eu resolvi que isso seria um desafio para ajudar as mulheres.”



