O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, bloqueou o contato do ministro Gilmar Mendes após uma troca de mensagens com cobranças e linguagem ríspida. A discussão ocorreu durante o julgamento, na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em 8 de setembro, Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam André Mendonça e formaram maioria para manter o afastamento de Andrei. Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a análise. O ministro estava na Itália durante o julgamento e considerou que Nunes Marques havia articulado uma movimentação com Mendonça e Fux no processo.
Gilmar cobrou que os ministros deixassem o caso e apresentassem suas contas. “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu. Nunes Marques respondeu: “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”.
Troca de mensagens
A conversa continuou com novas cobranças sobre o processo e as contas do presidente do TSE. Nunes Marques afirmou que não prosseguiria com o diálogo naquele tom e disse que prestava contas de tudo havia 15 anos. Gilmar também mencionou a família do ministro.
A última mensagem não foi lida por Nunes Marques, que já havia bloqueado o contato. O bloqueio ocorreu oito dias antes da divulgação das informações e continuava ativo.
Afastamento na Polícia Federal
André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues por 90 dias. A decisão também atingiu Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da PF. Mendonça afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” pela corporação por mais de 30 dias.
Ao pedir vista, Gilmar questionou a legalidade da medida, a competência da Segunda Turma para analisar o caso e o risco de decisões conflitantes no Supremo. Os votos de Fux e Nunes Marques foram registrados nove minutos depois da abertura do plenário virtual.
A referência à família de Nunes Marques ocorreu em meio a informações sobre Kevin Nunes Marques, filho do ministro, e empresas que fizeram negócios com o Banco Master. Em plenário nesta terça-feira (15), Nunes Marques afirmou que Kevin nunca trabalhou para o banco e negou relação ilegal.
Em março, foi informado que o escritório de Kevin recebeu R$ 281 mil, divididos em dez parcelas, de uma consultoria contratada pelo Master e pela JBS. A Consult confirmou o pagamento e disse que o valor correspondia a serviços técnicos e de assessoria jurídica prestados entre 2024 e 2025. Também foram divulgadas conversas de WhatsApp nas quais Daniel Vorcaro teria sido informado sobre o pagamento de R$ 500 mil a Kevin Nunes Marques.



