O Brasil pode registrar pelo menos seis ondas de calor até o fim de 2026, segundo uma projeção baseada no comportamento das temperaturas durante períodos de El Niño. O número pode ser maior conforme a intensidade do fenômeno nos próximos meses.
A estimativa considera 47 anos de registros de temperatura. No último episódio de El Niño, o país teve nove ondas de calor, indicando que os episódios podem superar a média observada nos dados históricos.
Uma onda de calor não é definida por temperaturas elevadas em apenas um dia. O fenômeno exige a permanência de temperaturas excepcionalmente altas por pelo menos três dias consecutivos.
Mudança no padrão dos episódios
As ondas de calor se tornaram mais frequentes e passaram a atingir áreas maiores do território brasileiro nas últimas décadas. Durante as décadas de 1980 e 1990, os episódios extremos eram menos comuns e geralmente ficavam concentrados em determinadas regiões.
A partir de 2010, especialmente depois de 2020, grandes áreas do país passaram a ser atingidas simultaneamente. A evolução do El Niño pode influenciar tanto a quantidade quanto a intensidade dos próximos eventos. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode deixar algumas regiões mais secas e quentes, enquanto outras enfrentam aumento das chuvas.
O aumento da temperatura média do planeta também tende a intensificar os episódios extremos. Áreas de alta pressão podem permanecer sobre determinadas regiões, dificultar a formação de nuvens e reduzir a chuva. Em uma atmosfera mais quente, esses bloqueios favorecem temperaturas ainda maiores.
Efeitos além do calor
A sequência de ondas de calor pode aumentar a perda de umidade do solo e agravar situações de seca. O cenário também favorece incêndios florestais, pressiona os recursos hídricos e pode afetar a agricultura e o abastecimento de alimentos.
A exposição prolongada ao calor intenso representa risco principalmente para idosos, crianças e pessoas com condições de saúde que ampliem a vulnerabilidade às altas temperaturas.
A previsão de seis episódios até dezembro não define um calendário. A quantidade, a duração, a intensidade e as regiões atingidas dependerão das condições atmosféricas e oceânicas ao longo dos próximos meses.



