A Polícia Federal prepara um relatório sobre as referências a ministros do Supremo Tribunal Federal que apareceram nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. O documento deve ser apresentado ao presidente da Corte, Edson Fachin, a quem caberia definir os próximos passos do caso.
A corporação avalia que a exposição pública das informações atingiu um ponto que exige uma manifestação institucional do próprio Supremo. Uma fonte da PF resumiu o entendimento com a frase: “Chegou no limite.”
Entre os ministros citados em diferentes circunstâncias no material estão Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. A menção aos nomes, isoladamente, não indica nem comprova participação em irregularidades.
A intenção da PF é apresentar a Fachin sua leitura sobre os elementos reunidos e deixar com o presidente do Supremo a definição do procedimento a ser seguido. A estratégia busca evitar que a corporação decida sozinha sobre eventuais medidas relacionadas aos ministros.
Disputa institucional
A iniciativa ocorre após uma controvérsia registrada no início do ano, quando houve questionamentos sobre a atuação da PF em informações relacionadas a Dias Toffoli. Integrantes do Supremo acusaram a corporação de avançar por iniciativa própria sobre dados envolvendo um ministro. A Polícia Federal negou essa interpretação.
O episódio expôs uma disputa sobre os limites de investigações que alcançam integrantes do STF e sobre quem deve autorizar eventual aprofundamento das apurações. Agora, a PF pretende submeter formalmente o material a Fachin e aguarda a confirmação de uma agenda entre representantes da corporação e o presidente da Corte.
A avaliação interna é que, diante da quantidade de informações tornadas públicas e da cobrança por respostas, o material não pode permanecer sem definição. O encaminhamento previsto transfere a Fachin a responsabilidade institucional pelos próximos passos.



