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Como o rosto se tornou centro da identidade humana

Livro de Fay Bound-Alberti examina a transformação cultural do rosto, da comunicação social às selfies e à biometria.

Como o rosto se tornou centro da identidade humana
Foto: Maryna Terletska/Getty Images

A relação da humanidade com o rosto mudou ao longo da história. Embora seja a parte do corpo mais associada à identidade, ele não pode ser visto diretamente por quem o possui. Ainda assim, suas expressões comunicam medo, confiança e perigo sem palavras — uma capacidade que, segundo a historiadora Fay Bound-Alberti, também é moldada por crenças, valores e formas de organização social.

Bound-Alberti, professora do King’s College de Londres, reúne essa análise no livro The Face: A Cultural History (A face: uma história cultural), publicado nos Estados Unidos e na Europa, sem previsão de lançamento no Brasil.

Há 40 000 anos, a comunicação não verbal ajudou o Homo sapiens a se sobrepor a outras espécies de hominídeos. Apesar disso, a individualidade quase não aparece nos registros mais antigos. As pinturas feitas há 36 000 anos na caverna de Chauvet, na França, mostram muitos animais, mas não detalham rostos humanos. Em comunidades dependentes da cooperação, retratar uma pessoa poderia ameaçar a coesão do grupo. Uma exceção é a Vênus de Brassempouy, cabeça de marfim de mamute esculpida há cerca de 25 000 anos.

Da Antiguidade às primeiras impressões

O rosto ganhou maior valor nas civilizações antigas. No Egito Antigo, faraós mandavam esculpir suas faces em granito. Na Grécia Antiga, Sócrates, Platão e Aristóteles relacionavam a beleza física a uma vida virtuosa. Em Roma e na Pérsia, mutilações faciais eram usadas como punição por falhas morais.

A aparência, porém, também produziu julgamentos equivocados. Um estudo da Universidade de Chicago calcula que são necessários 100 milissegundos para formar uma primeira impressão. Para o psicólogo Alexander Todorov, essas avaliações influenciam contratações, decisões judiciais e escolhas eleitorais.

Na Idade Média, a identidade passou a depender menos dos traços físicos e mais da família, da fé e da comunidade. A vaidade foi classificada como pecado por Santo Agostinho, e os espelhos perderam espaço.

O Renascimento recolocou o rosto no centro da arte. O retrato pintado por Rafael em 1515 mostra Baldassare Castiglione sem símbolos evidentes de poder, mas com a personalidade sugerida pelo olhar. Depois, a fotografia ampliou o contato das pessoas com a própria imagem. Em 1839, Robert Cornelius fez a primeira selfie. Quase dois séculos depois, 93 milhões de fotos desse tipo são produzidas diariamente.

Hoje, a face é usada para desbloquear celulares, movimenta uma indústria de cosméticos que fatura quase 40 bilhões de dólares em todo o mundo e está relacionada a 7,4 milhões de cirurgias plásticas por ano.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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