Santos, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00% Santos 23°C 22° / 27°
Notícia a toda hora
Brasil

Vorcaro diz que doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina ligada a Kassab

Relato aparece em propostas de delação rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

Em delação rejeitada, Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio era propina articulada por Kassab

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 foram pagamentos de propina articulados com Gilberto Kassab, presidente do PSD. A Polícia Federal e o Ministério Público rejeitaram as propostas de delação apresentadas por Vorcaro.

Bolsonaro recebeu R$ 2 milhões em doação oficial de Fabiano Zettel, seu cunhado. Tarcísio recebeu R$ 3 milhões, foi eleito governador de São Paulo e nomeou Kassab como secretário de Governo. Bolsonaro disputou a Presidência e perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva.

O relato consta em três propostas de colaboração, recusadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por não apresentarem fatos inéditos. As autoridades ainda devem investigar as declarações e os materiais apresentados.

Vorcaro classificou os pagamentos como contrapartidas financeiras posteriores a um ajuste indevido com Kassab. O objetivo, segundo ele, era manter em funcionamento o Credcesta, cartão de crédito consignado usado por empresas ligadas ao Master em manobras financeiras.

Como funcionaria o esquema

A operação começou no governo João Doria, então no PSDB, por meio de uma empresa ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. De acordo com o ex-banqueiro, os pagamentos buscariam manter o negócio após a chegada de Tarcísio ao governo, em janeiro de 2023.

O acordo descrito por Vorcaro previa o repasse de 5% do resultado líquido das operações com o Credcesta e contribuições para campanhas aliadas. Ele afirmou que R$ 5 milhões foram destinados a doações oficiais para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, enquanto R$ 10 milhões teriam sido pagos em caixa dois, em espécie, ao PSD de Kassab. Thiago Botelho teria intermediado as transferências informais.

Kassab negou a acusação: “um relato absolutamente fantasioso”, que refuta “com veemência”. Tarcísio afirmou que não tinha contato ou relação com Vorcaro e que sua campanha foi conduzida dentro da lei. Também disse que o credenciamento da empresa ligada ao Master para atuar com o Credcesta ocorreu na gestão anterior. Bolsonaro não respondeu.

Vorcaro está preso desde março. Em junho, foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, após a rejeição da segunda proposta de delação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Em agosto, o advogado Daniel Bialski passou a integrar sua defesa e disse que o ex-banqueiro queria colaborar novamente.

Também em junho, o ministro André Mendonça afirmou, em sessão no Supremo Tribunal Federal, que não manteria a prisão de Vorcaro para obter uma delação. A colaboração premiada é um meio de obtenção de prova e não pode, sozinha, fundamentar condenações sem outras informações que confirmem as declarações.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.