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Brasil pode acelerar a adoção de IA a partir de setores estratégicos

Bhavya Kapoor, da Avanade, afirma que mercados emergentes podem avançar mais rápido por terem menos sistemas legados e maior disposição para experimentar.

Brasil pode acelerar a adoção de IA a partir de setores estratégicos
Foto: divulgação/Divulgação

Mercados emergentes como Brasil, Índia e países do Sudeste Asiático podem acelerar a adoção de inteligência artificial e, em alguns casos, avançar mais rapidamente que economias maduras. A avaliação é de Bhavya Kapoor, presidente de Growth Markets da Avanade.

Responsável pelos negócios da empresa na Ásia-Pacífico, Japão e América Latina, Kapoor afirma que a velocidade de decisão e a disposição para experimentar novas tecnologias são vantagens competitivas dos mercados de alto crescimento. Países com menos sistemas e processos legados tendem a incorporar novas soluções com mais facilidade.

A Índia é apresentada como exemplo. A combinação de infraestrutura digital, escala e capacidade de experimentação ajudou a transformar setores inteiros. Entre os casos citados está a UPI, sistema de pagamentos instantâneos que se tornou uma das maiores redes digitais de pagamentos do mundo.

Oportunidades no Brasil

Kapoor afirma que o Brasil pode partir de áreas nas quais já possui conhecimento, dados, escala e vantagens competitivas. Entre os setores destacados estão agronegócio, serviços financeiros e energia.

O executivo também cita o Pix e o avanço do open finance como exemplos da capacidade brasileira de construir infraestrutura digital de escala. Para ele, o próximo passo é aplicar essa capacidade ao desenvolvimento de soluções de IA que aumentem a produtividade e a competitividade nos setores em que o país já é forte.

Na avaliação de Kapoor, a matriz energética brasileira, com intensidade de carbono muito baixa em comparação com muitos países, pode se tornar uma vantagem para a economia digital. A tarefa é transformar essas características em capacidade tecnológica.

Empresas precisam redesenhar processos

A adoção de IA não deve se limitar à redução de custos. Kapoor afirma que as empresas precisam avaliar como a tecnologia muda o negócio, quais processos utilizam as ferramentas, se há melhora na satisfação dos clientes e se surgem oportunidades de entrada em novos mercados.

O executivo considera um erro tratar agentes de IA como ferramentas que podem ser simplesmente instaladas. A implementação exige conhecimento tecnológico, experiência no setor e compreensão do contexto local. No Brasil, idioma, cultura, dinâmica regulatória e características do mercado precisam ser considerados.

Também é necessário redesenhar processos, avaliar o impacto sobre as equipes e definir como as pessoas trabalharão com a tecnologia. Para Kapoor, a implementação envolve transformação do negócio e dos recursos humanos, além de infraestrutura, governança e segurança.

Trabalho e experimentação

A falta de talentos preparados para trabalhar com IA é um dos desafios apontados. Governos, instituições de ensino e empresas precisam atuar para que novos profissionais cheguem ao mercado com conhecimentos adequados.

Kapoor prevê equipes formadas por pessoas e agentes de IA trabalhando lado a lado. As organizações terão de definir responsabilidades e garantir privacidade e segurança nesse ambiente.

Para avaliar o avanço de um país, ele considera três aspectos: aproveitar vantagens existentes, usar tecnologia para criar diferenciação competitiva e transformar essas vantagens em crescimento. No caso brasileiro, os elementos já estão presentes em infraestrutura, talento, tecnologia e setores estratégicos.

A recomendação aos líderes empresariais é criar uma cultura de experimentação, com ambientes em que seja possível testar, aprender e eventualmente errar. Para Kapoor, não experimentar pode representar um risco maior do que experimentar em um cenário de transformação tecnológica rápida.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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