BEIJING — O Ministério do Comércio da China exige que os Estados Unidos encerrem imediatamente as atividades de espionagem contra o país e suas empresas. A reação ocorre após Michael Ellis, vice-diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), afirmar que empresas chinesas são alvos legítimos de operações de espionagem.
Em declaração nesta sexta-feira, 11 set, o ministério manifesta “graves preocupações” e “firme oposição” às falas do dirigente americano. O porta-voz da pasta também pede o fim de ações que, na avaliação chinesa, prejudiquem a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China.
Ellis afirma que os Estados Unidos ampliaram as operações de espionagem contra a China, incluindo empresas dos setores de inteligência artificial, semicondutores e biotecnologia. O Ministério do Comércio chinês rejeita a justificativa e diz que os avanços tecnológicos nessas áreas resultam do trabalho de pesquisadores e empresas do país.
A pasta afirma ter “a firme determinação e amplos meios” para adotar medidas previstas em leis e regulamentos chineses, incluindo a Lei Anti-espionagem. Segundo o porta-voz, essas medidas podem ser usadas para punir atos ilegais e criminosos e proteger os direitos e interesses das empresas chinesas.
Disputa sobre segurança e competição
O governo chinês acusa os Estados Unidos de ampliar excessivamente o conceito de segurança nacional e de misturar competição econômica com segurança. Para o porta-voz, essa postura é guiada por uma mentalidade de soma zero e pela lógica da Guerra Fria.
A China também afirma que operações de agências de inteligência americanas interferem na concorrência econômica, afetam as expectativas de empresas em todo o mundo e prejudicam o ambiente global de competição justa. O porta-voz acusa os Estados Unidos de aplicar padrões duplos ao denunciar outros países por roubo de inteligência enquanto realizam espionagem cibernética e operações de coleta de informações em larga escala.
O ministério rejeita ainda as alegações americanas de que a China representa ameaças militares e econômicas. A pasta classifica essas acusações como repressão e difamação e afirma que espionagem e pressão não conseguem interromper o avanço tecnológico das empresas chinesas nem garantir liderança tecnológica genuína.



