O dólar à vista encerrou esta segunda-feira (28) a R$ 5,2265, com alta de 0,86% ante o real. A moeda acompanhou o avanço do dólar no exterior, a valorização do petróleo e a pressão sobre os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, enquanto o cenário eleitoral brasileiro permaneceu no radar dos investidores.
Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, índice que compara o dólar com uma cesta de seis moedas, subia 0,23%, aos 101,203 pontos.
Pressões externas
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou uma proposta aos Estados Unidos para a reabertura do Estreito de Ormuz. O país condiciona a medida à liberação de fundos e ativos iranianos congelados, como parte de um acordo para encerrar a guerra.
Donald Trump afirmou que rejeitou a proposta. Ainda assim, houve troca de mensagens e atuação de mediadores para tentar levar as partes de volta às negociações. Sem avanço concreto e com sinais contraditórios dos dois países, o petróleo Brent para dezembro fechou em alta de 0,4%, a US$ 97,83 o barril, na ICE, em Londres.
Os rendimentos dos Treasuries também subiram diante dos temores de inflação. O título de 10 anos operava a 5,232%, ante 5,181% do ajuste anterior (25). O mercado passou a esperar pelo menos duas altas de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve, conforme a ferramenta Fed Watch, do CME Group.
Cenário doméstico
No Brasil, pesquisa BTG Pactual/Nexus indica empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno.
Na Quaest, Lula permanece na liderança no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, o presidente e o senador aparecem com 42%.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a rejeição de Trump à proposta de cessar-fogo reacendeu o temor de prolongamento do conflito no Oriente Médio. A incerteza eleva o petróleo e pressiona os juros norte-americanos, movimento que afeta outras moedas e pesa sobre o real.
“Por aqui, a proximidade do primeiro turno da eleição também deixa o mercado mais nervoso”, afirmou Kayo. Ele também citou a situação fiscal e a atenção dos investidores às propostas dos candidatos para as contas públicas após o pleito.



