SÃO PAULO — A locação integral do Complexo Esther Towers pelo Itaú Unibanco reduz a disponibilidade de grandes áreas corporativas em São Paulo e altera o cenário da região da Chucri Zaidan. O contrato abrange 91,4 mil m² de escritórios e prevê R$ 1,17 bilhão em receita de locação nos primeiros dez anos.
Com as duas torres ocupadas, a vacância na Chucri Zaidan cai de 13,5% para 12%. Se o empreendimento fosse entregue sem contrato, o índice chegaria a 22%. A área do complexo equivale a 12 campos de futebol.
Menos opções para grandes empresas
O movimento ocorre enquanto a procura por escritórios volta a crescer. Durante a pandemia, entre 2020 e 2021, muitas empresas devolveram seus espaços. A partir de 2022, o retorno começou pelas pequenas e médias companhias e, mais recentemente, alcançou grandes grupos que reduziram ou encerraram o home office.
A vacância média dos prédios corporativos na cidade, que chegou a 22% durante a pandemia, está em 15%. Nos imóveis de padrão triplo A, o índice é de 9,8%, conforme dados da Binswanger e da CBRE. Nas regiões da Avenida Paulista, Faria Lima e JK, varia entre 5% e 9%.
Felipe Giuliano, diretor sênior de locação da CBRE, afirma que a maior parte dos edifícios de grande porte em obras já tem contratos. Para ele, a falta de novos projetos desse tamanho deve aparecer a partir de 2027. “Vamos ver carência de projetos grandes a partir de 2027”, estimou.
Para empresas que procuram mais de 50 mil m², as opções eram o Esther Towers e o Alto das Nações, recém-concluído. Já para áreas superiores a 10 mil m² em prédios triplo A, havia cinco imóveis disponíveis.
Contrato recorde
A operação do Itaú supera a maior locação anterior, feita pelo Banco do Brasil em 2013 para o Green Towers, em Brasília. O conjunto de três torres tinha 86 mil m². O Centro Empresarial Senado, no Rio, soma 96 mil m² e foi alugado pela Petrobrás, mas foi construído sob medida para a empresa.
A intermediação do contrato do Esther Towers foi feita pela CBRE, que atendeu a Eztec, proprietária do empreendimento, e pela Binswanger Brazil, que representou o Itaú Unibanco. Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger, avalia que a operação inicia um novo ciclo para o mercado de lajes corporativas.
Eduardo Cardinali, diretor de transações de escritórios da Binswanger, diz que a Chucri Zaidan deixa de ser apenas uma alternativa de custo menor em relação à Faria Lima e se consolida como polo corporativo.
A legislação também limita a expansão de empreendimentos desse porte. Gabriela Gregori, gerente sênior de pesquisa de mercado da CBRE, afirma que o plano diretor vigente obriga o parcelamento de terrenos grandes e restringe o aproveitamento para prédios comerciais. “Hoje não se consegue reproduzir grandes torres como a Esther Towers”, disse.
A cidade terá mais 180 mil m² de escritórios entregues no ano que vem, mas cerca de metade desse volume já está alugada. Entre as locações recentes estão 50 mil m² pelo Nubank, 39,2 mil m² pela Amazon, 16 mil m² pela Bayer, 15,9 mil m² pela Uber e 16,5 mil m² pelas Casas Bahia.



