O Ibovespa operava em queda de 0,72% nesta quinta-feira, 17, aos 184 206 pontos. O movimento era pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, em uma sessão marcada pelo recuo do petróleo e pela repercussão das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O barril, que havia se aproximado de 110 dólares nos últimos dias, voltou à faixa dos 103 dólares. As ações da Petrobras recuavam 2,79% e estavam entre as principais pressões negativas sobre o índice. Vale avançava cerca de 0,60%, enquanto Itaú subia 0,52%. Bradesco recuava 0,16%.
A queda do petróleo reduz a pressão sobre as expectativas de inflação e pode aliviar os juros para parte do mercado. “O barril do petróleo está cotado agora a US$ 103 aproximadamente, e esse alívio no petróleo favorece a Bolsa como um todo”, afirma Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos.
Juros no Brasil e nos Estados Unidos
O pregão ocorre após decisões opostas dos bancos centrais brasileiro e americano. O Federal Reserve elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. O Banco Central brasileiro reduziu a Selic na mesma magnitude, para 13,75% ao ano.
A diferença entre as taxas influencia a entrada de capital estrangeiro e o comportamento do câmbio. Para Mota, o aumento dos juros americanos reduz o espaço para cortes no Brasil por causa do diferencial de taxas.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também elevou suas projeções de inflação para 2026 e sinalizou a possibilidade de outro aumento dos juros ainda neste ano. Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, afirma que a projeção de inflação para este ano passou de 3,6% em junho para 3,7%. Em março, a estimativa era de 2,7%.
Pesquisas eleitorais
Novos levantamentos eleitorais também entraram no radar dos investidores. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual disputa de segundo turno: 47,2% contra 46,8%. Os dois estão tecnicamente empatados considerando a margem de erro de um ponto percentual.
O PoderData/Aya apontou Flávio com 46% e Lula com 44%, dentro da margem de erro. Já a pesquisa Gerp mostrou Flávio com 50% e Lula com 43%, diferença superior à margem de erro de dois pontos percentuais.


