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Economia

Opções viram instrumento para investidores se posicionarem nas eleições

Estratégias com opções permitem apostar na alta da bolsa ou limitar perdas diante da incerteza sobre o resultado eleitoral.

Grandes investidores estão usando opções para se posicionar diante das eleições presidenciais e reduzir a exposição a um resultado imprevisível. A estratégia permite buscar ganhos se a tese se confirmar, com perda limitada ao valor pago na operação caso a aposta dê errado.

A mudança nas pesquisas, especialmente o avanço de Flávio Bolsonaro a partir de meados de agosto, impulsiona a montagem dessas estruturas. A percepção no mercado é que uma eventual mudança de governo alteraria a trajetória da economia a partir de 2027, sobretudo na condução das contas públicas.

Como funcionam as operações

Uma das estratégias é a trava de alta com calls, conhecida como call spread. O investidor compra uma opção de compra com preço de exercício mais baixo e vende outra com preço mais alto. A primeira permite participar da valorização do ativo; a segunda ajuda a financiar a operação, mas limita o ganho se a alta superar o esperado.

Outra possibilidade é a compra a seco de calls. Nesse caso, o investidor paga um prêmio para ter o direito de se beneficiar da valorização do ativo. O potencial de ganho é maior, mas o valor desembolsado pode ser perdido integralmente se a alta não ocorrer até o vencimento.

Um exemplo envolve as opções BOVAJ215, relacionadas ao ETF BOVA11. Foram 6,1 milhões de contratos comprados por aproximadamente R$ 0,24 em 26 de agosto. O preço da mesma opção está em R$ 0,37, alta de 54% em pouco mais de duas semanas.

Também há operações com o EWZ, principal ETF de Brasil listado em Nova York, com preços de exercício equivalentes a 200 mil, 210 mil e 215 mil pontos. O Ibovespa fechou a sexta-feira (11) na casa dos 187 mil pontos.

“É uma questão de assimetria”, afirma Pedro Vendramini, sócio da One. Para Luciano França, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde, as opções permitem capturar um cenário de alta com menos capital em risco.

Eleição ainda sem definição

A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (11) mostra Lula com 46% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro de um ponto e configura empate técnico.

Lula também aparece em empate técnico com Augusto Cury, por 45% a 43%. Em outros cenários, supera Ronaldo Caiado por 46% a 41%, Romeu Zema por 48% a 39% e Renan Santos por 48% a 37%.

Para Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, a disputa mais acirrada aumenta o fluxo para o mercado e alimenta a possibilidade de alternância de poder. O Put-Call Ratio, que compara a procura por opções de venda e de compra, indica predominância das calls.

As opções também podem ser usadas para proteção. Investidores com posições relevantes podem comprar puts ou montar uma trava de baixa para limitar perdas caso o resultado eleitoral piore as expectativas econômicas.

As operações ainda podem afetar o mercado à vista. Bancos e tesourarias que vendem calls precisam se proteger e podem comprar os ativos correspondentes, elevando a demanda por ações e contribuindo para a alta do Ibovespa.

Entre os papéis observados por estrangeiros estão Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4) e B3 (B3SA3). O investidor brasileiro permanece mais cauteloso, enquanto a renda fixa oferece uma alternativa diante da Selic elevada e dos retornos dos títulos públicos atrelados à inflação.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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