O conflito entre Estados Unidos e Irã aumenta a pressão sobre o petróleo, a inflação e os mercados financeiros. A Arábia Saudita fechou parte do oleoduto Leste-Oeste, conhecido como Petroline, depois que um trecho foi atingido por drones vindos do Iraque. O ataque é atribuído a milícias ligadas ao Irã.
Com 1 200 quilômetros, o oleoduto conecta a costa oriental da Arábia Saudita ao porto de Yambu, no Mar Vermelho. Cerca de 5% do petróleo vendido no mundo passa pela estrutura, que ganhou importância depois dos bloqueios impostos pelo Irã à navegação no Estreito de Ormuz. Ataques dos hutis, grupo instalado no Iêmen e apoiado pelo Irã, também aumentam os riscos para a navegação no Mar Vermelho.
O barril do tipo Brent chegou a 108 dólares e permanece há mais de uma semana acima dos 100. Em junho, após um memorando assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irã, o preço havia recuado para 70 dólares. Antes da guerra, era negociado pouco acima dos 60 dólares.
“É pouco provável que o petróleo volte para os preços do pré-guerra tão cedo”, afirma Bruno Cordeiro, especialista de inteligência de mercado da StoneX. As interrupções reduziram os estoques globais e mantiveram os preços de gasolina, diesel e querosene de aviação próximos das máximas históricas.
A alta também atingiu as bolsas e os mercados de juros. A taxa dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos ultrapassou 5% ao ano. No Reino Unido, chegou a 5,4%, e, no Japão, subiu a 3%.
Os bancos centrais passaram a rever a expectativa de cortes. O Banco Central Europeu elevou a taxa básica da União Europeia para 2,5% ao ano. Nos Estados Unidos, os juros subiram 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, no primeiro aumento desde julho de 2023.
No Brasil, o governo ampliou os subsídios para gasolina e diesel. O custo acumulado da ajuda desde o início da guerra se aproxima dos 40 bilhões de reais, conforme o Ministério do Planejamento e Orçamento. A Petrobras também mantém parte dos preços nas refinarias.
Na quarta-feira 16, o Banco Central reduziu a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. O Copom, porém, indicou cautela diante da instabilidade internacional. Para André Rebelo, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, uma alta prolongada do petróleo pode elevar novamente os preços na indústria.



