Lamine Yamal, Pau Cubarsí, Marc Bernal e Xavi Espart nasceram em 2007, foram formados juntos em La Masia e já ocupam espaço no time principal do Barcelona. A chegada dos quatro ao futebol profissional reacende a comparação com a geração de 1987, que revelou Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué.
A avaliação de profissionais que acompanharam os dois grupos é que a safra atual apresenta mais variedade e profundidade, embora o grupo de 1987 seja considerado superior em talento individual. A geração mais recente reúne jogadores de posições diferentes: um atacante, um zagueiro, um volante e um lateral.
Caminhos compartilhados na base
Yamal e Bernal passaram os primeiros sete anos de formação juntos no Barcelona, antes de o atacante avançar precocemente de categoria. Cubarsí também se destacou desde cedo, enquanto Espart era visto como um jogador de grande potencial, mas com perfil mais discreto.
Albert Puig treinou o grupo no sub-9 e novamente no sub-12. Ele afirma que Yamal e Cubarsí já estavam “muito à frente” dos demais naquele período, enquanto Bernal “parecia estar um nível acima”. Para Puig, era uma geração de grande profundidade e alto nível.
Yamal estreou pelo Barcelona aos 15 anos, em abril de 2023, e rapidamente se tornou um dos principais jogadores da equipe. Cubarsí chegou ao time principal poucos meses antes de completar 17 anos e depois foi eleito o melhor em campo contra o Napoli, pela Champions League.
Bernal foi o terceiro do grupo a subir, aos 17 anos, depois de disputar 31 partidas pelo Barcelona B. Na pré-temporada de 2024/25, chamou a atenção de Hansi Flick e passou a ser apontado como uma solução interna para uma posição que o clube buscava reforçar desde a saída de Sergio Busquets.
Espart estreou depois dos outros três. Na última temporada, entrou em campo seis vezes e ganhou espaço na preparação seguinte. Com problemas nas laterais, Flick o utilizou como lateral-esquerdo nas primeiras rodadas da atual La Liga. O jogador respondeu com duas assistências e marcou seu primeiro gol pelo Barcelona.
Comparação com a geração de 1987
Messi, Fàbregas e Piqué também eram tratados como talentos especiais nas categorias inferiores. Os três foram descritos por treinadores da base como um “Dream Team”. A trajetória profissional, porém, ocorreu de maneira diferente: apenas Messi chegou diretamente ao time principal do Barcelona. Piqué foi para o Manchester United, e Fàbregas seguiu para o Arsenal antes de retornar ao clube catalão.
Os quatro jogadores de 2007, por outro lado, fazem a transição praticamente juntos. Puig afirma que havia confiança na capacidade de realização do grupo, mas não na velocidade com que os atletas alcançariam o futebol de elite nem no impacto imediato que teriam.
Em 2012, o Barcelona chegou a escalar apenas jogadores formados na base, em uma equipe que reunia Messi, Piqué, Fàbregas, Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol e Valdés, entre outros. A atual geração se diferencia por colocar jovens em várias posições no time principal ao mesmo tempo.
Andrés Cuenca, Jofre Torrents e Quim Junyent também eram considerados promissores e pertenciam à mesma geração. Cuenca e Torrents deixaram o Barcelona neste verão, enquanto Junyent foi para o Almería.
Desde que assumiu o Barcelona, em junho de 2024, Flick promoveu a estreia de nove jogadores formados no clube: Bernal, Espart, Sergi Domínguez, Andrés Cuenca, Toni Fernández, Dani Rodríguez, Jofre Torrents, Dro Fernández e Tommy Marqués. Yamal e Cubarsí já estavam consolidados antes da chegada do treinador. Gavi, Fermín López e Alejandro Balde também integram o grupo de jovens formados no Barcelona que ganharam espaço na equipe principal.
Para Marcet, a falta de intimidação diante do tamanho do clube ajuda a explicar o impacto dos jogadores de 2007. Eles chegaram ao time principal com o apoio de companheiros da mesma idade. Ainda não é possível afirmar que o grupo alcançará o nível histórico de Messi, Fàbregas e Piqué, mas a chegada simultânea de atletas em posições diferentes marca uma das características centrais da nova geração de La Masia.



