A Premier League confirmou nesta terça-feira (29) que o Manchester City foi considerado culpado de mais de 100 violações financeiras cometidas entre 2009 e 2018. As infrações incluem contratos de patrocínio inflados artificialmente, pagamentos de salários por fora dos contratos e falta de cooperação com a investigação.
Os patrocínios teriam sido inflados pelos próprios donos do clube, o governo de Abu Dhabi, em mais de 830 milhões de libras ao longo de oito anos. As possíveis sanções esportivas ainda não foram definidas e podem incluir rebaixamento e perda de títulos.
Richard Masters, diretor executivo do Campeonato Inglês, afirmou que a decisão descreve violações sistemáticas das regras da liga por quase uma década. “Este processo disciplinar e esta decisão são os mais significativos da história da liga”, disse em comunicado.
Precedente envolvendo o Everton
O caso do Everton pode abrir caminho para pedidos de indenização contra o Manchester City. Em junho deste ano, uma comissão independente da Premier League condenou o clube a pagar 26 milhões de libras, mais 9 milhões em juros, ao Burnley.
O Burnley foi rebaixado na temporada 2021/22 e terminou quatro pontos atrás do Everton. O clube alegou que as violações financeiras do adversário afetaram a disputa pela permanência na primeira divisão. O Everton havia excedido em 19 milhões de libras o limite permitido durante três temporadas, entre 2019 e 2022.
A punição inicial foi a perda de 10 pontos na temporada 2022/23, reduzida para seis após recurso. Na defesa, o Burnley calculou que o Everton teria conquistado entre 3,85 e 7,13 pontos em razão do excesso de gastos. O clube sustentou que teria permanecido na elite se a penalização tivesse sido aplicada antes.
O Everton recorreu e classificou a decisão como “um precedente perigoso e inviável para o futebol inglês”. A regra da Premier League permite que clubes busquem compensações de outros times considerados culpados de infringir as normas da competição.
Possíveis cobranças contra o City
Entre 2009 e 2018, o Manchester City conquistou três títulos ingleses, três Copas da Liga Inglesa e participou de oito edições da Champions League. A eventual revisão desses resultados poderia atingir clubes que ficaram atrás do time na tabela, incluindo equipes que perderam títulos, vagas em competições europeias ou foram rebaixadas.
Liverpool, Manchester United, Arsenal e Tottenham notificaram o City ainda em 2024, durante a investigação, e informaram que buscariam indenizações caso o rival fosse condenado. O valor indicado para cada clube seria de 100 milhões de libras.
A avaliação dos possíveis pedidos ainda é incerta. A Capital Law afirmou que, como houve recurso no caso do Everton, é cedo para considerar o precedente definitivamente aberto. O escritório avaliou, porém, que a decisão pode estimular clubes e consultores a examinar pedidos por perda de oportunidade, perda de receita ou outros prejuízos.
O advogado Fred Snowball afirmou que o caso do City é mais complexo por envolver dezenas de clubes. Segundo ele, uma resolução final do processo disciplinar e de eventuais pedidos de indenização pode levar anos.
O Manchester City declarou estar “surpreso e desapontado” com a conclusão do painel da Premier League e afirmou ser inocente de todas as acusações.



