MANCHESTER — A derrota por 1 a 0 para o Manchester City, em Old Trafford, expôs as limitações do elenco do Manchester United e as escolhas feitas na janela de transferências. O gol de Erling Haaland decidiu o dérbi, embora a comissão de arbitragem local, Pro Arbitr, avalie que o lance não deveria ter sido validado.
Mesmo sem considerar o gol, o desempenho do United levantou dúvidas sobre a capacidade da equipe de encontrar soluções quando o adversário fecha os espaços. O time de Michael Carrick teve cerca de 70 minutos com superioridade numérica após a expulsão de Phil Foden, mas não conseguiu transformar a vantagem em domínio ofensivo.
Contratações e diferenças entre os elencos
O contraste entre os clubes ficou evidente nas substituições. Carrick colocou Joshua Zirkzee em campo nos minutos finais, enquanto Enzo Maresca lançou Iliman Ndiaye no intervalo. O City pagou 65 milhões de libras por Ndiaye depois de mudar de alvo ao não conseguir contratar Cody Gakpo, do Liverpool. Zirkzee, que o United tentou negociar durante a janela, soma nove gols em 76 partidas pelo clube e entrou aos 83 minutos. Ndiaye participou da jogada do gol ao roubar a bola que originou o ataque.
A diferença também apareceu no meio-campo. Elliot Anderson e Enzo Fernández custaram, juntos, 280 milhões de euros ao City. O United contratou Youri Tielemans por 41 milhões de euros, valor da cláusula de rescisão, enquanto Kobbie Mainoo foi formado no clube. Ainda na gestão de Ruben Amorim, o United considerou negociar Mainoo por um valor muito inferior ao que sua atuação no dérbi poderia indicar.
As escolhas também atingiram a lateral esquerda. Patrick Dorgu, lateral-esquerdo de origem, vem sendo usado com mais frequência como meia ou ponta. Contra o City, voltou à função original e perdeu o posicionamento no lance do gol, deixando Lisandro Martínez em uma situação de dois contra um no segundo poste.
O United considerou Lewis Hall antes de contratar Carlos Baleba, outro meio-campista. Também investiu 56,3 milhões de euros em Andrey Santos, que participou de apenas 42 minutos nas últimas quatro partidas. Para o texto, esses movimentos mostram que a questão não envolve apenas o volume de recursos, mas sua distribuição.
Carrick busca alternativas
O United voltou a ter dificuldades para atacar uma defesa fechada, com ações estáticas e passes sem velocidade e precisão suficientes. A única chance realmente perigosa surgiu no último dos cinco minutos de acréscimo, quando Bruno Fernandes encontrou Bryan Mbeumo. Gianluigi Donnarumma defendeu e evitou o empate.
A dificuldade já apareceu em outros jogos. Sob Carrick, o United perdeu para o Newcastle quando o rival tinha um jogador a menos. Na temporada anterior, o Everton também venceu o time de Ruben Amorim em situação semelhante. Maresca havia avaliado que o United poderia ter problemas se o City impedisse as transições da equipe.
Carrick levou o United à Champions League após a saída de Amorim, mas o dérbi mostrou que seu trabalho depende do elenco disponível. O treinador não recebeu uma transformação profunda do grupo durante o mercado de verão. O placar não define a temporada, mas evidencia um time capaz de competir em alguns cenários e com dificuldades para alterar o rumo das partidas quando o plano inicial deixa de funcionar.



