O Real Madrid volta a expor uma dificuldade que antecede a chegada de José Mourinho: Kylian Mbappé e Vinícius Junior ocupam espaços semelhantes pelo lado esquerdo. A sobreposição aparece nos dois jogos anteriores à pausa para a Data Fifa, contra Elche e Atlético de Madrid.
Na vitória por 3 a 2 sobre o Elche, os dois praticamente se sobrepõem no posicionamento médio. No clássico perdido por 2 a 1 para os Colchoneros, o problema se repete. A equipe também apresenta queda de intensidade no segundo tempo, algo observado desde o início da temporada.
Sobrecarga pela esquerda
Vinícius é ponta-esquerda de origem e ocupa o setor desde o trabalho de Carlo Ancelotti, que o levou à disputa pela Bola de Ouro em 2023/24. Mbappé, contratado na temporada seguinte, costuma deixar a área para buscar o jogo na mesma faixa do campo.
Quando o francês se aproxima da esquerda, o centro do ataque fica sem referência. O restante da estrutura se desloca para apoiar os dois atacantes, permitindo que o adversário compacte as linhas e reduza os espaços para os duelos individuais. Sem Mbappé próximo à região central, também fica mais fácil impedir os avanços do Real Madrid.
A concentração das jogadas pela esquerda enfraquece o lado direito. Brahim Díaz e Arda Güler, que já atuaram por ali com Mourinho, costumam cortar para dentro. Jude Bellingham também aparece nessa faixa como elemento surpresa. O movimento deixa o ataque previsível, especialmente contra adversários mais competitivos.
Carlos Espí surge como alternativa emergencial saindo do banco contra rivais de nível inferior. O centroavante oferece força física e presença no jogo aéreo, além de marcar gols decisivos ao cumprir funções semelhantes às de Mbappé quando o francês tem liberdade para circular.
Troca de posição não resolve tudo
A inversão entre Mbappé e Vinícius poderia levar o brasileiro ao centro, onde já atuou pela seleção brasileira e pelo Real Madrid. A mudança, porém, criaria outro problema: a fase defensiva do francês.
Mbappé evolui nas pressões em linhas altas desde a Copa do Mundo, mas atuar pela ponta-esquerda exigiria recomposição e corridas para trás. Liberá-lo dessa tarefa abriria espaço para o adversário explorar o setor; exigir que funcione como auxiliar do lateral aumentaria o desgaste físico.
Entre as alternativas está ampliar a participação de Yan Diomandé, que ainda se adapta ao Real Madrid. O marfinense avança até a linha de fundo, busca o drible no um contra um e pode fortalecer o lado direito. Contra o Elche, Federico Valverde lançou a bola para Diomandé, que cruzou rasteiro para Mbappé finalizar perto da marca do pênalti.
Outra possibilidade é limitar os deslocamentos de Mbappé e priorizar sua presença na região central, onde pode finalizar ou abrir espaços para os pontas. A opção mais drástica seria deixar o francês ou Vinícius no banco, mas essa alternativa é considerada a menos provável por fatores que ultrapassam o campo, como o peso midiático, a possível reação de desagrado e a influência no ambiente do vestiário.



