Paulo Otávio considera Oliver Glasner o treinador que mais transformou sua carreira. Aos 31 anos, o lateral do Al-Sadd afirma que os brasileiros do Nottingham Forest precisam entender rapidamente as exigências do técnico, que assumiu o clube em 2026.
A orientação é dirigida a Murillo, John, Jair Cunha e Igor Jesus. O Forest iniciou a pré-temporada com uma linha de três defensores, sistema compatível com o modelo usado por Glasner. Para Paulo, a cobrança pode parecer excessiva no começo, mas faz parte do processo de adaptação.
“Ele vai soar como um cara muito chato, porque ele é muito exigente”, afirma. O lateral explica que o treinador define com clareza o que espera e insiste até que o jogador cumpra a tarefa. Paulo também diz que Glasner combina cobrança pública com confiança nos momentos reservados.
A mudança de posição
A relação começou no LASK, da segunda divisão austríaca, para onde Paulo foi aos 21 anos, depois de deixar a Tombense. Ele recebia cerca de R$ 6 mil e via o Campeonato Mineiro como uma oportunidade de chamar a atenção de um clube maior. Caso não avançasse na carreira, planejava voltar para casa e estudar.
Antes de estrear na Áustria, perguntou a Fabiano como Glasner trabalhava. A resposta mencionava pressão, intensidade e dedicação. Paulo, acostumado a atuar como um ponta, ouviu do treinador que deveria atacar, mas também passou a compreender que precisava defender dentro do sistema.
A experiência ganhou força quando o lateral foi para o Ingolstadt. Depois do rebaixamento do clube para a terceira divisão alemã, Glasner o chamou para o Wolfsburg. O reencontro ocorreu em 2019, e o contrato firmado teve duração de quatro anos.
No Wolfsburg, Paulo passou a estudar os movimentos da equipe por meio de vídeos e orientações sobre ocupação de espaços. Ele afirma que deixou de pensar apenas no ataque e entendeu que um lateral não pode abandonar sua posição esperando a correção de um companheiro.
A transformação acompanhou uma campanha de destaque: o Wolfsburg terminou a Bundesliga 2020/21 em quarto lugar e garantiu vaga na Champions League. Paulo também recorda que Glasner dava oportunidades a jovens quando considerava que estavam preparados. Omar Marmoush recebeu uma dessas chances.
“Confiança é tudo na vida de um jogador”, resume Paulo, ao descrever a influência do treinador. Ele teve conversas para acompanhá-lo no Eintracht Frankfurt, mas uma lesão e a saída posterior do técnico impediram o acordo.
Carreira e retorno ao Brasil
Paulo também trabalhou com Mark van Bommel, Niko Kovac e Roberto Mancini. No Al-Sadd, divide o vestiário com Roberto Firmino e Claudinho. O lateral considera Claudinho o jogador mais talentoso com quem atuou e afirma que escolhas profissionais nem sempre permitem reunir dinheiro, fama e protagonismo.
Mesmo depois de mais de uma década fora do país, Paulo mantém o sonho de jogar no Brasil. Ele nunca disputou a Série A e gostaria de atuar por um grande clube paulista. Pai de três filhos, porém, avalia a decisão considerando a rotina e a segurança da família.



