A desconfiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 48%, o maior índice registrado pelo Datafolha desde o início da série histórica, em 2012. Em março, 43% dos entrevistados diziam não confiar na corte.
A pesquisa foi realizada entre 15 e 17 de setembro, com 2.001 pessoas em 125 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Entre os entrevistados, 14% afirmam confiar muito no STF e 35% dizem confiar um pouco. Em março, esses percentuais eram de 16% e 38%, respectivamente. A parcela dos que não confiam no tribunal cresceu cinco pontos percentuais no período.
Comparação com outras instituições
O índice de desconfiança no Supremo supera os registrados para outras instituições políticas. A Presidência da República tem 42%, enquanto Congresso Nacional e partidos políticos aparecem com 45% cada.
Nos partidos, a desconfiança caiu de 52% para 45%. O levantamento também registra aumento na parcela dos que dizem confiar muito no Congresso, de 5% para 11%; na imprensa, de 15% para 22%; e nas Forças Armadas, de 26% para 34%.
Em outra pesquisa, 76% afirmaram considerar que os ministros do STF têm poder excessivo. Ao mesmo tempo, 71% disseram considerar a corte essencial para a democracia.
Diferenças entre os grupos
A desconfiança chega a 54% entre os homens e a 60% entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o índice é de 69%. Entre eleitores do PT, fica em 22%.
Entre os entrevistados que desaprovam o governo Lula, 75% afirmam desconfiar do Supremo.
A crise que envolve integrantes da corte e as investigações relacionadas ao caso Banco Master passaram a ser exploradas na campanha eleitoral. Flávio Bolsonaro defende o impeachment de ministros do STF e usa críticas ao tribunal em sua campanha.
O Datafolha aponta ainda que 47% dos eleitores dizem que a crise do Supremo terá alguma influência na escolha para presidente. Para 36%, o episódio terá grande peso; para 11%, a influência será pequena.
A confiança na imprensa varia conforme a idade: é de 14% entre jovens de 16 a 24 anos e chega a 30% entre os mais velhos. O levantamento também indica queda da confiança à medida que aumenta a escolaridade.



