BRISBANE — Carlo Ancelotti comanda o Brasil contra a Austrália nesta sexta-feira (25), no primeiro jogo da seleção depois da eliminação para a Noruega na Copa do Mundo de 2026. O treinador convoca nove estreantes e inclui na lista uma parcela expressiva de atletas que atuam no futebol brasileiro.
A partida marca o início de um ciclo com jovens em diferentes posições, jogadores estabelecidos e atletas em possível fim de trajetória na seleção. Ancelotti declara que pretende renovar o grupo, mas as experiências das últimas reestreias após Copas mostram que uma boa primeira impressão não garante permanência.
As lições dos ciclos anteriores
Em 2006, Dunga mantém parte da estrutura anterior no empate por 1 a 1 com a Noruega, em Oslo, em 16 de agosto. Robinho, Cicinho e Fred começam como titulares depois de terem participado da Copa com papéis menores. Gomes assume o gol, Elano aparece no meio e Daniel Carvalho recebe uma oportunidade.
Daniel Carvalho marca na estreia e ainda atua contra Argentina e Suíça naquele ano, mas encerra a passagem pela seleção com três partidas e um gol. O caso mostra como um desempenho inicial pode refletir uma boa fase momentânea, sem confirmar uma carreira internacional duradoura.
Em 2010, Mano Menezes promove uma renovação mais ampla na vitória por 2 a 0 sobre os Estados Unidos, em Nova Jersey. Ganso, Neymar e Alexandre Pato começam juntos, enquanto David Luiz inicia sua trajetória recorrente na seleção. Jucilei e André também ganham minutos. Neymar se torna o principal nome daquela geração, e David Luiz passa a ser uma peça importante nos anos seguintes.
A primeira partida de Dunga após o ciclo de 2014 segue outro caminho. O Brasil vence a Colômbia por 1 a 0, em Miami, com gol de Neymar, mas conserva a maior parte da equipe que havia disputado a Copa. Philippe Coutinho e Marquinhos entram no segundo tempo. A partida expõe a dependência do atacante e uma tentativa de reconstrução baseada em nomes conhecidos.
Em 2018, Tite combina continuidade e mudanças controladas. Na vitória por 2 a 0 sobre os Estados Unidos, Fabinho aparece como lateral-direito. Arthur, Lucas Paquetá, Richarlison e Éverton Cebolinha entram durante o jogo e depois se tornam peças relevantes da seleção.
O alerta mais forte vem de 2023. Após a eliminação para a Croácia no Catar, Ramon Menezes dirige interinamente o Brasil contra Marrocos, em março. A equipe perde por 2 a 1, e o treinador promove muitos testes. Rony começa como titular; Rodrygo atua centralizado; Andrey Santos, então com 18 anos, também inicia a partida. Emerson Royal, Ibañez e Alex Telles formam parte da defesa, enquanto Vitor Roque e Arthur entram no decorrer do jogo.
Nenhum dos nove estreantes daquela partida é convocado para a Copa de 2026. Andrey Santos permanece no radar e participa da preparação, mas os demais deixam a disputa.
A lista de Ancelotti
Para o jogo em Brisbane, Ancelotti chama Breno Bidon, Gabriel Bontempo, Martinelli, Pedro Morisco, Matheuzinho e Arthur Dias, nomes acompanhados por quem assiste ao Brasileirão. A convocação abre espaço para expectativa, mas não equivale à confirmação de um lugar entre os titulares.
O Brasil treina com o grupo completo antes do duelo, marcado para 7h de Brasília, no Queensland Country Bank Stadium. A principal questão do novo ciclo é transformar testes em escolhas consistentes, sem confundir uma oportunidade inicial com consagração na seleção.



