SEUL — A Coreia do Sul convoca o encarregado de negócios da Ucrânia, Andrii Vieshkin, e exige explicações e um pedido formal de desculpas pela divulgação da transferência de dois prisioneiros de guerra norte-coreanos. O governo sul-coreano afirma que o anúncio viola um acordo de confidencialidade. Kiev nega que tenha assumido esse compromisso.
O presidente Volodymyr Zelensky revela a transferência durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na semana passada. Os norte-coreanos são capturados por forças ucranianas em 2025, durante combates contra tropas russas. Eles estão entre os soldados enviados pela Coreia do Norte para apoiar Moscou na guerra contra a Ucrânia.
No domingo, Seong Ghi-hong, secretário presidencial sul-coreano para Relações Públicas, afirma que Seul recebe com “forte pesar” a divulgação unilateral. Segundo ele, o sigilo busca proteger os soldados e seus familiares na Coreia do Norte, além de preservar questões diplomáticas e de segurança nacional.
A crise se agrava após uma fonte do gabinete presidencial ucraniano negar a existência do acordo. Para o governo sul-coreano, a declaração prejudica a confiança entre os dois países. Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul convoca Vieshkin para formalizar o protesto. O diplomata diz que transmitirá as preocupações a Kiev.
Destino dos prisioneiros
Os dois homens manifestam o desejo de se estabelecer na Coreia do Sul enquanto ainda estão na Ucrânia. Seul pede que eles não sejam devolvidos à Coreia do Norte, onde poderiam sofrer perseguição. A legislação sul-coreana considera os cidadãos do Norte parte da população do país e prevê acolhimento e apoio financeiro a desertores. Mais de 34 mil norte-coreanos fogem para a Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.
Rússia e Coreia do Norte reconhecem em 2025 a participação de tropas de Pyongyang nos combates ao lado dos russos. Seul, os Estados Unidos e outros países acusam o governo de Kim Jong-un de enviar munição, artilharia e mísseis a Moscou em troca de apoio econômico e militar.
A Coreia do Sul apoia a Ucrânia com ajuda humanitária, adere às sanções lideradas pelos Estados Unidos contra a Rússia e mantém a política de não enviar armas diretamente a países em conflito. O governo resiste aos pedidos de Kiev e da Otan por apoio militar direto.



