Os rebeldes hutis afirmam ter derrubado um caça F-15 da Força Aérea da Arábia Saudita durante uma operação no Iêmen. A alegação ocorre em meio a uma nova troca de ataques entre o grupo e Riad, que acusa os insurgentes de lançar um drone em direção a Meca.
O porta-voz militar huti, Yahya Saree, diz que o avião foi abatido durante uma operação sobre a província de Marib, no centro-norte do Iêmen. Segundo ele, os rebeldes usaram um míssil de fabricação própria. O grupo não apresentou provas da queda, e as autoridades sauditas não confirmaram a informação.
Saree também acusa a aviação saudita de realizar mais de 450 ataques contra o Iêmen ao longo da semana, atingindo sete províncias. Ele afirma que a ofensiva deixou civis mortos e feridos. Esses números não foram verificados de forma independente.
A acusação sobre Meca é atribuída pela coalizão liderada pela Arábia Saudita a um episódio ocorrido na terça-feira, 15. O grupo afirma que suas defesas aéreas interceptaram e destruíram um drone huti ao sul da cidade, antes de ele entrar no espaço aéreo restrito. O general Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão, diz que a proteção de Meca, de seus visitantes e dos peregrinos é uma “linha vermelha” e afirma que haverá resposta.
Os hutis negam ter mirado a cidade sagrada. Um integrante do gabinete político do grupo afirma que a acusação é falsa e que as operações rebeldes têm como alvos instalações militares e de petróleo, afastadas dos locais religiosos. Um alerta de segurança para Meca, emitido em meio à escalada, foi posteriormente retirado.
Na segunda-feira, 14, os hutis lançaram dezenas de mísseis e drones contra a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita. A coalizão afirma que treze civis ficaram feridos. Desde então, forças sauditas e do governo iemenita reconhecido internacionalmente intensificam os bombardeios contra posições hutis no Iêmen.
O conflito também pressiona a navegação no Mar Vermelho e na região do Estreito de Bab el-Mandeb. Os hutis avançaram pelo oeste do Iêmen e conquistaram posições estratégicas no litoral e nessa passagem, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
A Arábia Saudita depende mais de rotas alternativas para transportar petróleo enquanto o Estreito de Ormuz permanece afetado pelo conflito. Na semana passada, o país interrompeu a operação do oleoduto Leste-Oeste após ataques atribuídos pelo governo a milícias apoiadas pelo Irã no Iraque. Os Estados Unidos também restringiram viagens de servidores do governo para áreas a menos de 30 quilômetros da fronteira com o Iêmen.



