PARIS — O presidente da Argentina, Javier Milei, apresenta o país a empresários europeus como fornecedor de gás, petróleo e minerais estratégicos durante uma agenda na França. No evento Argentina Week, realizado na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a francesa TotalEnergies anuncia uma carteira de investimentos de cerca de US$ 10 bilhões na Argentina nos próximos anos.
A maior parte dos recursos será destinada à ampliação da produção de gás e petróleo. O presidente-executivo da empresa, Patrick Pouyanné, afirma que o grupo pretende perfurar novos poços na Terra do Fogo e expandir as operações em Neuquén, na região de Vaca Muerta.
A TotalEnergies, responsável por cerca de um quarto da produção de gás argentina, prevê elevar a produção para 16 milhões de metros cúbicos por dia. A companhia estima investimentos de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões nos próximos dez anos. Em Vaca Muerta, planeja aumentar a produção de gás em Aguada Pichana e avançar em um projeto de petróleo em San Roque.
A empresa também prepara um desenvolvimento offshore na Terra do Fogo, chamado Alberdi, com investimento estimado em US$ 1,5 bilhão. A exploração de petróleo e gás de xisto utiliza fraturamento hidráulico, com água, areia e produtos químicos sob alta pressão. A técnica é alvo de críticas por possíveis impactos ambientais.
Mineração e estratégia econômica
A francesa Eramet anuncia a intenção de incluir o projeto de lítio Centenario-Ratones, na província de Salta, no regime argentino de incentivos a grandes investimentos. A expansão pode exigir cerca de US$ 350 milhões e acrescentar 11 mil toneladas anuais à capacidade de produção de carbonato de lítio, hoje de 24 mil toneladas.
Milei destaca as reservas argentinas de cobre, lítio e urânio e afirma que o país oferece “segurança jurídica” às empresas de mineração. Ele também diz que a Argentina tem energia, metais e minerais necessários para se tornar um polo de inteligência artificial.
“A Europa aprendeu o quão caro é depender de fornecedores não confiáveis”, declara o presidente. Milei afirma que a Argentina pode fornecer energia em abundância a países europeus a partir de uma região sem conflitos e alinhada aos “valores ocidentais”.
O interesse europeu pelos recursos argentinos aumenta após a invasão russa da Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio, que afetaram o fornecimento de hidrocarbonetos para a Europa. Estados Unidos e China também ampliaram a disputa por minerais estratégicos para energia, tecnologia e defesa.
A agenda na França inclui uma reunião com o presidente Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu. Milei é acompanhado pela irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e participa de encontros com empresários franceses.
A busca por investimentos ocorre cerca de um ano antes das eleições presidenciais argentinas. Desde que assumiu o poder, no fim de 2023, o governo promove ajuste fiscal e reduz a inflação anual de cerca de 161% para pouco mais de 33%. No primeiro semestre de 2026, a pobreza atinge 32,3% da população, e o desemprego chega a 7,9%.
Milei defende a continuidade de seu programa de reformas e afirma estar otimista com a possibilidade de disputar um novo mandato nas eleições de 2027.



