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Pauta climática perde espaço nas eleições de 2026 apesar de alertas ambientais

Planos de governo e debate eleitoral deixam em segundo plano a crise climática, embora pesquisas indiquem cobrança dos eleitores.

Pauta climática perde espaço nas eleições de 2026 apesar de alertas ambientais

A pauta ambiental perde espaço na campanha para as eleições gerais de 2026, apesar de o Brasil e outras regiões enfrentarem enchentes, ciclones, ameaças de seca severa, recordes de temperatura e tragédias ambientais. O debate eleitoral se concentra na crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto a questão climática aparece de forma limitada nos planos dos candidatos.

Entre os seis principais presidenciáveis, apenas o presidente Lula (PT) apresenta propostas compatíveis com a dimensão do desafio socioambiental. Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) tratam do tema de maneira vaga e não detalham diretrizes como metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Eleitores cobram propostas

Pesquisa do instituto Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima, rede que reúne quase 200 organizações socioambientais, mostra que 91% dos brasileiros consideram importante que candidatos apresentem propostas para enfrentar as mudanças do clima. Para 62%, a pauta é muito importante.

O levantamento também indica que 87% dos eleitores associam a crise climática ao aumento de secas, tempestades intensas e ondas de calor. Outros 79% defendem que o combate à crise seja prioridade do próximo governo, mesmo com custos econômicos.

Leila da Costa Ferreira, professora de sociologia ambiental da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que falta levar a urgência dos eventos extremos para o cotidiano dos eleitores. “As chuvas, os eventos extremos, etc., fazem parte do nosso cotidiano”, disse. Para ela, o tema não pode ser tratado como algo distante, porque ocorre no quintal, na cidade, no estado e no país.

Programas e metas ambientais

Uma análise do Observatório do Clima sobre os planos de governo e o histórico parlamentar dos presidenciáveis identifica omissões e posições contrárias à proteção ambiental. O secretário-executivo da organização, Márcio Astrini, afirma que parte das candidaturas de direita e extrema-direita minimiza ou rejeita a crise climática. “Quando o presidente da República vira as costas para a realidade, ele não toma medidas para proteger a população”, declarou.

Flávio Bolsonaro não reconhece a existência da crise do clima e, em sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, minimizou a interferência humana nos eventos extremos. O Observatório do Clima identificou ao menos sete propostas antiambientais em seu programa, entre elas a liberação do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, para a extração de petróleo e gás.

O governo eleito terá de cumprir compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris. Entre as metas desta década estão reduzir 1,2 bilhão de toneladas de emissões de gases de efeito estufa, alcançar desmatamento zero em todos os biomas brasileiros e restaurar no mínimo 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

O cumprimento dessas metas também dependerá da composição do Congresso Nacional. Para Astrini, o Legislativo está entre os principais obstáculos à agenda ambiental no país.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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