Radicada em Pequim, Zhao Si constrói uma trajetória que combina poesia, tradução, pesquisa literária e edição. Doutora em Literatura pela Academia Chinesa de Ciências Sociais, ela publicou 12 coletâneas e traduziu obras de autores como Ted Hughes, Yannis Ritsos, Tomaž Šalamun, Vladimír Holan, Edmond Jabès e Tim Lilburn.
Na entrevista, a poeta afirma que a tradução não se limita à passagem de palavras entre idiomas. Para ela, o processo envolve investigar o que uma obra preserva, transforma ou perde ao circular em outra língua. A experiência também influenciou sua própria produção, publicada em chinês, esloveno, inglês e espanhol.
Um episódio decisivo ocorreu quando Zhao Si traduziu poemas de Tomaž Šalamun. O contato com a obra do poeta esloveno, marcada pela experimentação e pelo surrealismo, ajudou-a a compreender a necessidade de sair da zona de conforto para escrever. Em 2012, ao enviar poemas próprios a Šalamun, recebeu dele uma avaliação positiva sobre a clareza e a graça dos textos.
A autora também relata as dificuldades de tradução de sua poesia experimental. A coletânea em inglês inicialmente reuniria 63 poemas, mas foi publicada com 54, depois que nove textos foram considerados difíceis de assimilar no idioma. Para Zhao Si, essa fase deu lugar a uma poesia da experiência, com dimensão transcendente.
Sobre guerras e crises, a poeta diz que a realidade pode gerar bons poemas quando atravessa os sentimentos e a experiência de quem escreve. Ela cita “Construir um monumento de flores para você”, texto interpretado por leitores chineses como uma reação à guerra na Ucrânia. Na avaliação da autora, a poesia permite aproximar-se da dor humana sem apenas explicar os acontecimentos.
Zhao Si entende a literatura como um espaço de encontro entre civilizações. Seus poemas combinam referências chinesas, europeias e norte-americanas, além de mitologias, ciência, memória e cenas cotidianas. Para ela, o leitor estrangeiro não precisa encontrar uma explicação direta sobre a China: o poema pode criar um lugar compartilhado, que não pertence ao Oriente nem ao Ocidente.
A escritora recebeu o primeiro prêmio A Mai Ni de Poesia em 2023, a Medalha Literária Jerzy Sulima-Kamiński em 2020 e a Medalha Alfred Kowalkowski de Tradução em 2023. Atualmente, trabalha na revista Poetry Journal, é primeira vice-presidente do Comitê da Medalha Europeia de Poesia e Arte – HOMER e edita a série dedicada aos vencedores da Medalha Homer.




