NOVA DÉLI — A declaração aprovada na Cúpula do BRICS defende uma ordem internacional mais multipolar, com maior participação dos países emergentes nas instituições de governança mundial. O documento reafirma princípios como soberania, igualdade entre os Estados, multilateralismo, cooperação internacional e solução pacífica de conflitos.
Reformas nas instituições internacionais
Os países do bloco apoiam uma reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo o Conselho de Segurança, para ampliar a representação dos países em desenvolvimento. O texto também defende uma participação mais significativa de Brasil e Índia e maior representação africana.
A proposta se estende ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial, com mudanças nas cotas e na estrutura de poder para aumentar o peso das economias emergentes e em desenvolvimento. A declaração ainda rejeita barreiras protecionistas, medidas comerciais discriminatórias e instrumentos econômicos usados como pressão política.
Conflitos e financiamento
Sobre crises internacionais, o BRICS defende diálogo, negociação, diplomacia e respeito à Carta das Nações Unidas. Em relação a Gaza, manifesta preocupação com a situação humanitária, apoia o acesso à ajuda e reafirma a solução de dois Estados, com a criação de um Estado palestino soberano e independente.
Na área financeira, o documento incentiva o uso de moedas nacionais e o trabalho do BRICS Payment Task Force para integrar sistemas de pagamentos. Não há previsão de criação de uma moeda comum do bloco.
O Novo Banco de Desenvolvimento, presidido por Dilma Rousseff, é apresentado como instrumento para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável. A declaração apoia o fortalecimento de operações em moedas locais.
Tecnologia, energia e produção
A agenda inclui soberania digital, inteligência artificial, semicondutores, computação em nuvem e infraestrutura digital. Os países defendem uma governança da inteligência artificial que considere as economias emergentes e contribua para desenvolvimento, produtividade, inclusão social e redução das desigualdades.
O texto reconhece a importância dos minerais críticos e defende o direito soberano dos Estados sobre seus recursos naturais. Também propõe uma transição energética justa, ordenada e inclusiva, além de cooperação em agricultura, segurança alimentar, industrialização, inovação e tecnologia.
A declaração apresenta o BRICS como uma plataforma política do Sul Global. A estratégia combina a defesa de reformas nas instituições existentes com a construção de mecanismos próprios de cooperação financeira, tecnológica e produtiva.



